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A imprensa e os corruptos

Do Observatório da Imprensa

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=489JDB012

Por Alberto Dines

Estranhamente, a imprensa também não se mobiliza para discutir a decisão do TSE, que não vai impedir a candidatura de cidadãos com ficha suja na Justiça.

Cada vez mais monotemática e cada vez menos abrangente, nossa imprensa está perdendo uma nova oportunidade de ajudar o saneamento político do país. Na terça-feira (10/6), o Tribunal Superior Eleitoral decidiu por quatro a três que um cidadão processado pode candidatar-se enquanto não for condenado em tribunal. Quem provocou a decisão foi o tribunal regional da Paraíba, que solicitava o embargo de candidatos com a ficha suja.

Na quarta-feira (11), só o Globo destacou a decisão do TSE e, na quinta, só o Globo manteve o assunto na primeira página, comentou o retrocesso do tribunal em editorial e na coluna de Merval Pereira. Nos jornalões paulistanos o silêncio, exceto no espaço do Estado de S.Paulo onde Dora Kramer expõe a sua dose diária de indignação. Enquanto isso, duas siglas míticas, a CNBB e a OAB, voltaram a juntar-se para protestar contra a decisão do TSE apoiadas por uma série de ONGs ligadas ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

É compreensível o interesse do Estadão e da Folha nos casos da venda da Varig e da ressurreição da CPMF, mas a degradação do Poder Legislativo é uma questão de Estado, prioritária, antecede as demais. Enquanto nosso Legislativo, em todos os seus níveis, admitir parlamentares sem os atributos mínimos de decência, continuaremos a assistir à incessante exibição de escândalos e ilícitos.

Maus elementos

A qualificação moral dos representantes do povo é essencial para a qualidade da nossa República. As eleições municipais estão aí e, caso prevaleça a última decisão do TSE, teremos em outubro quase 60 mil novos vereadores no país (59.591), muitos dos quais deveriam estar há muito na cadeia.

Convém lembrar que o número anterior era de quase 52 mil vereadores, mas a generosidade dos deputados federais ampliou recentemente a brecha para a eleição de mais maus elementos nas gaiolas de ouro.

O assunto é grave, urgente, e a mídia não pode minimizá-lo.

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5 comentários sobre “A imprensa e os corruptos

  1. Carlos Rocco

    Paulinho,

    É por essas, que mais e mais venho a acreditar que a imprensa (ou parte dela) só divulga o que lhe realmente lhe interessam. Jogo político?

  2. Divanio

    Paulinho,

    Sugiro-lhe que na época da eleição divulgues uma lista, se possível por Estado, dos políticos comprometidos perante a justiça! E que o povo acorde!

  3. Renato

    Se entendi bem, vc está se pondo acima da justiça, ou seja, a justiça está errada e vc certo.
    vc baseia sua opinião na CNBB e OAB, duas grandes porcarias, de passado lamentável de apoio ao golpe de 64 e presente de espoliaçao ao patrimônio de seus fiéis e associados.
    acho melhor vc rever seus conceitos e avaliar suas referências.

  4. Gabriel

    que a politica brasileira é um nojo, é do conhecimento de todos, mas ressalve-se que um dos pilares da justiça moderna é o principio da presunção de inocencia. Ora, se o cidadao está sendo processado mas ainda nao transitou em julgado eventual sentença condenatória nao há que se flar em impedimento a candidatura. Talvez voce nao saiba, mas o “in dubio pro reo” é principio consagrado em todos os paises mais modernos, sendo que estou de acordo com a decisão do TSE. Agora, caso os politicos que estao sendo processados sejam condenados, entao há que se retirar as suas candidatura ou, caso sejam eleitos, de impugnar seus mandatos.

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