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E o Palmeiras, ainda sem verba para novo projeto, sonha

Por Vanessa Ruiz

http://vanessaruiz.blogspot.com/

Até 1976, ano em que se desfez o grupo conhecido como segunda academia do Palmeiras, o clube era um descobridor de talentos: buscava jogadores jovens no interior de São Paulo e do Brasil para integrar a equipe. Ademir da Guia veio do Bangu, Luis Pereira, do São Bento, Dudu e Nei eram da Ferroviária. O Palmeiras era descobridor, não formador. E ainda sem força suficiente para revelar talentos de sua própria base, em 2008, o clube monta um projeto para retomar a estratégia. Focado na contratação de olheiros ao redor do país, o novo plano é encabeçado pelo gerente de futebol Toninho Cecílio.

O primeiro passo é escolher os observadores. Eles devem ser ex-jogadores de futebol e, de preferência, com alguma ligação com o Palmeiras. Além de serem residentes na região onde vão trabalhar. Só o Estado de São Paulo, por exemplo, é dividido em seis partes. O diretor das categorias de base, Ademir Previlatto, explica que a relação entre o clube e o olheiro precisa ser ética, o que só será garantido com bons salários: “É um trabalho de alto risco. As pessoas têm que ser bem pagas para que nos mandem os jogadores. Senão, outro time oferece mais dinheiro ao observador e leva”.

O perigo existe e, para evitá-lo, o investimento tem que ser alto. O controle se dará também através de relatórios periódicos e do acompanhamento de Jorginho, ex-atleta e atual coordenador das categorias de base do Palmeiras. Hoje, ele é o único responsável por peneiras e observação de jogadores tanto na Academia II, em Guarulhos, quanto fora de São Paulo.

Jorginho, cujo cargo poderia ter sido ocupado por Evair, caso o ex-ídolo tivesse aceitado o convite, será um dos responsáveis pelo recrutamento destes profissionais. Por enquanto, o projeto leva o nome de Green Talent, que pode ser alterado depois de passar pelo departamento de Marketing. Toninho Cecílio revela que a ênfase será nos estados do Sul e do Sudeste por conta da formação física dos jogadores: mais força, porte maior; e da ascedência européia de muitos deles, chave para a obtenção de passaporte comunitário e conseqüente facilitação de negócios com times do exterior. Alguns dos slides mostrados por Toninho têm um sinal de alerta: “FIFA 5%”, que lembra a necessidade de ter todo o trabalho documentado para que o Palmeiras tenha os direitos de clube formador em negociações futuras. A escolha dos atletas levará em conta aspectos como carências do mercado e procedência familiar. No entanto, para que o projeto saia da tela do computador de Toninho, falta ainda definir os investidores.

O diretor-adjunto de planejamento, Marcelo Fonseca, trabalha ao lado de Luiz Gonzaga Belluzo, diretor da área, e Gilberto Cipullo, vice-presidente de futebol, na captação de recursos. A estrutura do Palmeiras para formação de atletas ainda é deficiente, à exceção da escola de goleiros. Por conta disso, investir em profissionais que tragam ao clube talentos em potencial é uma estratégia que traz boas lembranças. Os Brasileiros de 72 e 73 foram conquistados com esta fórmula. No entanto, é preciso ter olhos de lince para não errar e desperdiçar recursos. Usado também na década de 80, o modelo falhou: Célio, Benazzi, Ditinho, Bizu, Darinta, Freitas vieram do interior de São Paulo e do Brasil, mas nem de longe deram certo. A expectativa é que o projeto seja colocado em prática antes de julho de 2008.

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6 comentários sobre “E o Palmeiras, ainda sem verba para novo projeto, sonha

  1. Rodollfo SppyX

    O título da notícia é infeliz, pois passa uma idéia de ilusão, de um projeto idealizado, uma vez que o que falta é só a verba… mas o conteúdo é magnífico!

    Um projeto deste tamanho é extremamente bom e gera bons frutos, conforme em 72/73.

    Isso é o primeiro passo para se poder criar uma cultura de clube que cria atletas da base. Não pode ser visto como ‘usurpar’ os jogadores dos times pequenos, não.

    Qual garoto de 11, 12 anos não gostaria de jogar num clube como o Palmeiras? Ao contrário de outros clubes, o Palmeiras tratará diretamente com a diretoria do próprio clube, que lucrará com essa negociação também!

    A falta do capital inicial é um detalhe por enquanto. É melhor você ter o projeto e aguardar a verba do que nem ter um projeto.

    Um avanço do Palmeiras que se tudo der certo será bastante glorioso e renderá boas negociações futuras. Só achei que houve um pouco de sentido pejorativo ao criticar as categorias de base do Palmeiras. Não é um clube famoso por formar craques como o Fluminense ou o Flamengo, mas não é também tão “deficiente”.

    Estamos tomando caminhos muito bons.

    Abraços!

    http://www.blogdoro.net

  2. Alviverde/SP

    A verdade é que ALGUMA COISA têm que ser feita…não sei se a fórmula aplicada nos gloriosos anos de 72/73 caberia nos dias atuais, mas é um projeto que se bem aplicado, pode mesmo render bons frutos…e a parceria?? Não poderia investir nisso?? O Palmeiras sempre teve a carcterística de clube descobridor de talentos, e poucos formados em suas categorias de base que tiveram grande destaque…por que não se investir MAIS nos pratas da casa e mudar essa característica?? O problema é que, não só no Palmeiras, devido ao assédio insistente de agentes e empresários, os clubes vêem seus jovens atletas batendo as asas cada vez mais cedo…

  3. Gilberto MInhoca

    A corrupção pode ser o impasse nesse projeto, o treinador desse clube se mete em tudo, inclusive experimenta o caldo de feijão na mão e lambe pra ver se está bom de sal, se colocarem ele no lugar de treinar pode ser que isso chega o retorno razoável…

  4. Renato

    a manchete nada tem a ver c/ o texto… tentou dar um ar pejorativo ao clube mais uma vez( a outra foi a história dos assentos do banco de reservas do Palestra, não lembro de ter visto ninguém em pé, contra o S.Caetano, a não ser na hora das comemorações) e nos anos 80, o Palmeiras abdicou da sua base, esses jogadores q ela listou já chegaram no Palestra bem grandinhos e alguns até na faixa dos 26/28 anos. precisa melhorar a pesquisa, minha filha. senão não vai chegar nem a Chico Lang.

  5. LULA.SP

    “Usado também na década de 80, o modelo falhou: Célio (…) vieram do interior de São Paulo e do Brasil, mas nem de longe deram certo.”

    Arre! O Célio veio da Portuguesa, após se destacar na campanha do vice-campeonato de 1985. Não tem nada de interior!

  6. Alviverde/SP

    Ô Lula, esse Célio do texto é OUTRO, que jogou de 80 a 82, acho que era capixaba, sei lá…também não faz diferença nenhuma.

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