O São Paulo sem Pelé nem Ademir da Guia
POR ROBERTO VIEIRA
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O São Paulo é indiscutivelmente o clube mais organizado do Brasil. Ponto.
Tem um grande goleiro e um técnico competente. Uma diretoria de primeiro mundo, embora ultimamente tenha sonhos autocráticos.
Porque a autocracia mora no coração de quem se julga imortal. É humano.
Mas o São Paulo não tem Pelé nem Ademir da Guia. Nem Raí.
O favoritismo do tricolor paulista nos torneios em que participa, deve-se muito mais a fragilidade dos adversários que a um supertime.
Deve-se muito mais aos seus gerentes.
Nos anos 60, quando começava o campeonato paulista ou a Taça Brasil, meio mundo sabia: Era o Santos contra o resto do mundo.
O Santos de Pelé enfrentava o Botafogo de Garrincha com um pé nas costas. E as malas de dólares sumiam.
Derrotava o Peñarol e o Boca Juniors na casa do inimigo. O Benfica de Eusébio. E os papagaios voavam.
Brincando.
Nos anos 70 veio o Palmeiras de Ademir da Guia. Uma máquina calculista de jogar futebol.
Precisa e milimétrica. Informática. Dentro das quatro linhas. Fora, só cornetas.
Ademir da Guia!
Definir Ademir da Guia só João Cabral de Melo Neto.
Ademir transformava a vida dos seus adversários em vida severina.
Começava o Brasileirão e o paulista, e lá vinham aquelas onze camisas verdes.
Até que as dívidas exilaram Leivinha e Luís Pereira em Madri.
O São Paulo atual não é sequer o São Paulo dos sonhos de Telê Santana. O São Paulo bicampeão em Tóquio.
O São Paulo atual é o clube mais organizado do Brasil. Ponto.
Tem um grande goleiro e um técnico competente. Excelentes gerentes.
É um bom sinal que a organização ganhe títulos no futebol brasileiro. Viramos primeiro mundo?
Ainda não.
Mas é um São Paulo sem Pelé nem Ademir da Guia.
Um São Paulo que pode muito bem ser vítima do valente Guaratinguetá.
O que não será surpresa pra ninguém.
Afinal de contas, o Guaratinguetá também é um clube bem organizado sem Pelé nem Ademir da Guia…
