Luciano Corrêa é campeão mundial de judô no Rio de Janeiro

Bruno Doro
Enviado especial do UOL
No Rio de Janeiro
Após o bronze no Pan-Americano, em julho, Luciano Corrêa disse que não iria mais errar em momentos decisivos. Nesta quinta-feira, comprovou a evolução. Depois de bater o atual campeão olímpico, em sua estréia, e o europeu, na semifinal, ele venceu o britânico Peter Cousins na final e ficou com o título dos meio pesados (até 100 kg).
Aos 24 anos, ele se torna o segundo brasileiro campeão mundial de judô. O primeiro tinha sido João Derly, no Mundial do Cairo, em 2005.
O europeu, para anular a ofensividade do brasileiro, lutou sempre muito próximo de Luciano, que tinha dificuldades para conseguir seus golpes. O brasileiro ainda foi punido a 1min40s do final, por falso ataque. Em vantagem, Cousins segurou ainda mais o combate. Tanto que a 30 segundos do final, foi punido. Com o combate empatado, Luciano aplicou o ippon.
“Ser campeão mundial no Rio de Janeiro é maravilhoso. Hoje deu tudo certo, agradeço à Deus, à minha família, e a todos que me ajudaram a chegar até aqui. Venho batalhando por isso há muito tempo e estou muito feliz”, comemorou Corrêa.
O resultado iguala o número de medalhas do Brasil no Mundial do Cairo, em 2005, e faz de Luciano o primeiro brasileiro a subir ao pódio em dois mundiais seguidos. No Egito, ele terminou em terceiro, após perder a semifinal para o japonês Keiji Susuki.
Foram cinco lutas para a conquista, algumas mais difíceis, outras mais duras, e muito tempo de espera. Entre as quartas-de-final e a semifinal, foram mais de cinco horas de intervalo, feito para acomodar a grade de horários da TV japonesa, que transmite a competição ao vivo. Luciano disputou as quartas contra o georgiano Levar Zhorzholiani às 16h30 e só lutou novamente perto de 22 horas, já na semifinal.
Na estréia, bateu o atual campeão olímpico Igor Makarov, de Belarus. Após um combate tenso, que parecia fadado a ser definido pelas punições, Luciano, em vantagem, conseguiu um ippon.
Logo depois foi a vez do chinês Ning Shao. O brasileiro conseguiu pontuar no começo e só administrou a vantagem. Nas quartas-de-final, contra o georgiano Levar Zhorzholiani, venceu por ippon, a menos de três minutos do final.
Na semi, contra o húngaro Dániel Hadfi, atual campeão europeu, teve sua luta mais difícil. Luciano vencia o combate até 18 segundos do final, quando foi punido por falta de combatitividade. O combate foi para o golden score, a morte subida. Mais ofensivo, o brasileiro conseguiu o ippon com 30 segundos.
Bronze no Mundial do Cairo, em 2005, Luciano chegou à final pela primeira vez em duas edições da competição. No Egito, ele perdeu a vaga na final para o japonês Keiji Susuki, que no Rio de Janeiro foi eliminado na segunda rodada.
“Eu estou muito satisfeito. Vinha batendo sempre na trave, um bronze no último Mundial e bronze no Pan, mas agora consegui. A torcida foi determinante para a minha vitória. Agora é só comemorar”, declarou o campeão. .
