Advogado ligado a ex-presidente do Corinthians perde ação para o Blog do Paulinho

Waldemar Lima Rodrigues da Silva, advogado ligado ao ex-presidente do Corinthians Duílio “do Bingo” Monteiro Alves, que também atua na defesa do proprietário de um dos estabelecimentos envolvidos na emissão de notas fiscais apontadas como falsas na investigação sobre supostos desvios de recursos do clube, sofreu derrota judicial em ação movida contra o Blog do Paulinho.

O bacharel pretendia retirar uma reportagem do ar e receber R$ 50 mil por danos morais.

A publicação questionada, intitulada “STF, advogado do PCC, as marmitas de Guaianazes e o ex-presidente do Corinthians”, abordava o histórico judicial do advogado.

Na ação, Waldemar alegou ter sido falsamente associado à Operação Fast Track e a uma organização criminosa, sustentando que jamais havia sido preso ou denunciado naquele procedimento.

A Justiça, porém, reconheceu que a reportagem estava fundamentada em documentos oficiais.

A sentença da 4ª Vara Cível de Vila Prudente destacou decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no Habeas Corpus nº 223.706, que confirmou a existência de prisão preventiva contra Waldemar.

O documento judicial reproduziu investigações do GAECO que atribuíram ao advogado atuação no chamado braço jurídico de uma organização criminosa, em apurações envolvendo loteamentos clandestinos, crimes ambientais e corrupção.

Essas referências dizem respeito às acusações investigadas, não a uma condenação criminal definitiva.

Para o magistrado, eventual imprecisão na identificação da operação policial não comprometeu a veracidade dos fatos centrais divulgados.

A sentença também ressaltou que jornalistas não precisam aguardar condenações definitivas para noticiar investigações criminais de interesse público.

O juiz afastou a existência de abuso, má-fé ou intenção difamatória por parte do Blog do Paulinho, reconhecendo o exercício legítimo da liberdade de imprensa.

Todos os pedidos de Waldemar foram rejeitados, incluindo indenização, retirada da reportagem, direito de resposta e proibição de futuras publicações.

O advogado ainda foi condenado ao pagamento das custas processuais e de honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa.


Nossa defesa é realizada pelo escritório Flora, Matheus & Mangabeira Sociedade de Advogados, com financiamento da ONG inglesa Media Defense.


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