Análise sobre a negociação entre Corinthians e CAIXA

Corinthians e CAIXA Econômica Federal avançam nas negociações para extinguir a dívida de aproximadamente R$ 630 milhões referente à construção da Arena de Itaquera.

Há quem critique a possibilidade, argumentando que o banco estaria utilizando dinheiro público para beneficiar uma entidade privada.

Não é necessariamente verdade.

Se o Corinthians entregar direitos comerciais equivalentes ao valor devido, teremos uma negociação bancária, não uma doação.

A CAIXA, embora estatal, é também uma instituição financeira que disputa mercado, investe em publicidade e busca novos clientes.

O acordo em discussão envolve, segundo informações, os naming rights da Arena, a centralização das operações financeiras corinthianas, contas-salário e produtos bancários associados à torcida.

A eventual inclusão do patrocínio principal da camisa, ainda não confirmada, alteraria substancialmente os cálculos.

Os números merecem atenção.

O Corinthians avalia os naming rights do estádio em R$ 70 milhões anuais, embora receba atualmente cerca de R$ 21 milhões da Hypera Pharma, dona da marca Neo Química.

Caso a CAIXA receba o direito de explorar o nome da Arena por quinze anos, a avaliação pretendida pelo clube representaria R$ 1,05 bilhão em valores nominais.

Considerando uma taxa hipotética de desconto de 12% ao ano, o valor presente dessa receita futura seria de aproximadamente R$ 477 milhões.

Faltariam, portanto, cerca de R$ 153 milhões para alcançar a dívida, diferença que poderia ser compensada pela rentabilidade dos serviços bancários, cartões e outros produtos vinculados ao Corinthians.

A CAIXA teria ainda exposição nacional de sua marca, associada a um dos clubes de maior torcida do país.

O banco precisaria demonstrar quanto economizaria em campanhas publicitárias e quanto efetivamente ganharia com novos clientes.

Do lado corintiano, a vantagem mais evidente seria eliminar uma dívida onerosa, com financiamento que prevê juros de CDI acrescidos de 2% ao ano, com vencimento final em 2041.

Somente em 2025, o Corinthians desembolsou aproximadamente R$ 126 milhões em juros e amortizações.

Livrar-se desse compromisso representaria importante alívio financeiro.

Mas haveria perdas.

Durante o período de cessão dos direitos, o clube deixaria de receber novos recursos por propriedades comerciais que poderiam ser negociadas com outras empresas.

É nesse ponto que a eventual inclusão do patrocínio máster exige cautela.

Em fevereiro, o Corinthians renovou com a Esportes da Sorte por R$ 150 milhões fixos anuais, contrato posteriormente afetado pelas restrições às apostas.

Em setembro, recebeu proposta de R$ 120 milhões pelo espaço principal da camisa.

A Shopee ocupa atualmente a posição até o fim de 2026, em acordo, até o momento, sem o valor não foi divulgado.

Se naming rights de R$ 70 milhões anuais e patrocínio máster de R$ 120 milhões fossem cedidos conjuntamente por quinze anos, teríamos R$ 2,85 bilhões em receitas nominais.

Descontadas a valor presente pela mesma taxa hipotética de 12%, essas receitas representariam aproximadamente R$ 1,29 bilhão.

Mais que o dobro da dívida discutida.

Evidencia-se um risco: entregar direitos comerciais demais para liquidar uma obrigação menor.

Outro problema é a Hypera Pharma.

A empresa ainda possui contrato de naming rights até 2040, e a rescisão poderá custar ao Corinthians entre R$ 47,85 milhões e aproximadamente R$ 68 milhões, conforme divergência divulgada neste domingo.

A despesa também precisa entrar na conta.

O acordo pode ser bom para ambos.

Mas a diferença entre um negócio vantajoso e outro prejudicial estará nos detalhes: quais direitos serão cedidos, por quanto tempo, por quais valores e com quais garantias.

Sem conhecer essas condições, qualquer afirmação categórica de lucro ou prejuízo será mais torcida do que contabilidade.

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1 Comentário

  1. O problema é a Caixa aceitar um naming rights de 70 milhões se a arrna só consegue 21 milhões.

    Se vale 70 milhões porque não vendeu faz tempo para outro patrocinador, como o Itaú, a Volkswagen ou mesmo alguma bet?

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