BAP diz enorme verdade para esconder a realidade

São raras as vezes em que um dirigente demonstra coerência ao responder a assuntos espinhosos, que contrariam o desejo de grande parte dos torcedores.
Questionado sobre quando o Flamengo construirá seu estádio, o presidente BAP respondeu:
“Não vamos fazer um estádio com a taxa de juros como está no Brasil hoje.”
“Custa R$ 3 bilhões o estádio. Com 15% de juros ao ano, são R$ 450 milhões.”
“Dividido por seis, são 80 milhões de euros.”
“São dois Paquetás por ano só de juros, sem amortizar o principal.”
“Fazer um estádio nessas condições é um suicídio esportivo. E aí você vai bater de frente com o ‘vencer, vencer, vencer’.”
Tudo isso é verdade.
Mas não revela toda a realidade.
BAP não está propriamente preocupado em proteger o dinheiro do Flamengo — e a referência a Paquetá é, inclusive, ilustrativa desse raciocínio.
A questão é outra.
O dirigente, desde sempre, foi contrário à construção de um estádio próprio pelo rubro-negro — projeto que, como se sabe, foi viabilizado por um grupo político concorrente e que, naturalmente, reivindicaria para si os créditos.
Ainda que por vias tortuosas, BAP prefere a manutenção do Maracanã — o que, no fim das contas, pode até se revelar um acerto.
