‘Não há luz no fim do Túnel’: o comovente desabafo de Ledio Carmona

Por Ledio Carmona*
Não há luz no fim do túnel.
Pouca coisa tem valido a pena.
A imprensa esportiva, minha escolha profissional de vida, está um lixo.
Ninguém conversa mais. O zap acabou com o contato. Olhares. Não existe mais olho no olho. Vida de verdade. Viramos robôs. Sem empatia, tempo e cuidado com o próximo. Importante é engajar, monetizar, performar e fazer um curso de gestão.
Muita coisa que gostaria de postar, infelizmente, não posso publicar. Muita coisa que gostaria de fazer também não posso. E seguimos em frente, num misto de resignação e desgosto.
Não suporto mais discussões e debates sem fim. Esse ano será interminável. Os próximos, também. Estamos presos num labirinto de loucura.
E, pior, a maioria acha que está tudo certo. É um show de egoísmo, egocentrismo e foda-se o outro. É um massacre recheado de falsidade explícita.
Sigo no meu trabalho. Preciso ganhar meu salário, tenho muitas contas a pagar e funciona quase como uma terapia. Você bota o fone e esquece despesas, extrato bancário, boletos, gente escrota e o que não presta. Pena que uma hora o jogo termina.
Não vou desativar o instagram. Aqui tem muita coisa boa e, se você souber usar, entrega um manancial incrível de infos e boas opiniōes.
Mas não vou postar mais. Não vejo mais sentido. Sou um velho chato, reclamão, que mal anda, enxerga e precisa de uma cadeira full-time. Ninguém quer ler o que eu penso. Não quero fazer papel de tiozão do insta.
Para completar, não tenho a sorte (nem a liberdade) de ganhar dinheiro aqui nem no youtube. Então faz menos sentido ainda. Quem trabalha e se expõe de graça é relógio.
Mas continuarei olhando o que presta, aqui e no X. E, claro, descobrindo muita coisa e gente imprestáveis.
Vou desativar os comentários. Agradeço o carinho. Mas quero me isolar no que ainda me é permitido. Não fiquem decepcionados. Eu preciso me cuidar.
Obrigado pelo carinho que muita gente teve comigo por aqui. Reconheço e sou grato. Tenho amigos e amigas que fiz nas redes. E espero mantê-los.
Como agradecimento, deixo o áudio que desde que ouvi pela primeira vez, ali pelos anos 80, se tornou um hino da minha vida. Andrea Doria, da Legião Urbana. Bela e triste. Como é a vida.
Até.
*Publicado, originalmente, no Instagram do jornalista
