O jogo sujo do Presidente do Corinthians

Não é surpresa para ninguém que Osmar Stabile, presidente do Corinthians, chegou ao poder após jurar obediência aos líderes do grupo “União dos Vitalícios”, em especial a Paulo Garcia, dono da Kalunga, irmão do agente de jogadores Fernando Garcia.
Trata-se de um fantoche nas mãos de quem se sente confortável em ditar ordens nos bastidores.
Há anos, Garcia comanda o poder alvinegro, embora a maior notoriedade recaia sobre Andrés Sanchez.
O retrospecto é claro.
Em 2007, Sanchez, de fato, exerceu o poder, que se estendeu, também, à gestão de Mario Gobbi — ainda que com uma ou outra divergência com o delegado.
A partir de Roberto Andrade, o cenário mudou.
Garcia alinhou-se à Renovação e Transparência, impediu — ao lançar-se, de forma enganosa, como candidato de terceira via — a vitória de Citadini, então favorito nas pesquisas, e passou a inserir seus aliados em cargos estratégicos, como diretoria de futebol e finanças.
O modelo se manteve na gestão de Duílio “do Bingo” e seguiu com Andrés e Augusto Melo — sequência que culmina com Stabile, que ascendeu de vice à presidência.
Para manter o controle, é essencial para Garcia barrar o aumento do número de eleitores no Parque São Jorge.
Caso isso ocorra, perderá influência sobre votos que, notoriamente, são adquiridos — a preços módicos — de associados e conselheiros vulneráveis à prática.
É nesse contexto que Stabile cumpre ordens.
Primeiro, encenou um espetáculo na reunião de reforma estatutária para impedir que uma votação aberta expusesse os integrantes do grupo.
Fracassou: o presidente do Conselho convocou Assembleia Geral, surpreendendo a todos.
Agora, aproveitando-se do ambiente de conflito, convocou reunião extraordinária para deliberar sobre a expulsão do desafeto Romeu Tuma Junior, marcando data sem qualquer amparo estatutário.
O objetivo é claro: tumultuar o cenário.
Caso a reunião ocorra nesses termos, a judicialização será inevitável, o que permitirá postergar a votação das contas de 2025 — indefensáveis sob qualquer análise.
Sequer os balancetes, que o Estatuto obriga a serem publicados mensalmente, foram disponibilizados; o último deles foi disponibilizado no site oficial em novembro de 2025, ou seja, há quatro meses.

Há ainda a questão das contas da Arena de Itaquera, administradas, sem qualquer manifestação contrária formal da diretoria, pela criminosa REAG — investigada por ligações com o PCC —, que há quatro anos não apresenta balanço auditado — nem mesmo sem auditoria — à CVM.
Nelas, há uma movimentação nebulosa envolvendo pendências de R$ 100 milhões, assumidas pelo clube, que desapareceram dos Informes Mensais sem qualquer justificativa.
A reprovação do balanço abriria caminho para novo processo de impeachment, colocando em risco os interesses de quem controla, nos bastidores, o fragilizado presidente do Corinthians.
É uma vergonha.
Mais uma, ao menos para os torcedores — porque a cartolagem, que atua contra o clube, há tempos não demonstra qualquer constrangimento em expor sua própria canalhice.
