A nossa dor é a dor de todo o Brasil

Da FOLHA

Por VÁRIOS AUTORES (nomes ao final do texto)

  • Julgamento do caso Marielle no STF é esperança de construir um país em que ninguém mais passe pelo que passamos
  • Vereadora virou símbolo internacional, mas, para nós, ela e Anderson continuam sendo um familiar que nos foi roubado

No dia 14 de março de 2018, perdemos parte das nossas famílias, conhecemos uma dor que ainda não tem nome e que nunca passará. Tentaram apagar com 13 disparos um projeto de um mundo mais igualitário. Mas esse projeto não era apenas de Marielle Franco e Anderson Gomes. Ele era de todos nós, suas famílias, e da sociedade brasileira.

Quase oito anos se passaram da noite que mudou nossas vidas para sempre. Agora chegamos no momento mais importante dessa trajetória: o julgamento dos acusados de mandar assassinar Marielle e Anderson. Após anos de espera, de investigações obstruídas, de trocas de comando e de muitas noites sem resposta, chegamos finalmente ao Supremo Tribunal Federal. Nesta terça (24) e na quarta-feira (25), viveremos o marco de um novo Brasil.

Um Brasil capaz de se levantar contra toda forma de injustiça e, daqui em diante, levar o legado de luta de Marielle e Anderson por um país cada vez mais justo e democrático. Afinal, só chegamos ao dia do julgamento dos mandantes através de muita mobilização nacional e internacional —e foi essa força, indignada por respostas, que possibilitou a manutenção desta memória por quase uma década sem resolução. Justiça é esse legado de luta que se leva adiante.

Esse julgamento deve representar uma resposta histórica que as instituições estão dando à sociedade: qualquer pessoa que tente, por meio da violência e da morte, frear o movimento da luta por direitos humanos e por uma vida digna deverá ser responsabilizada. A força bruta, a influência e o poder econômico não podem proteger quem ousa desafiar a democracia.

Marielle era uma vereadora eleita, que representava 46.502 pessoas que a elegeram. Anderson era um trabalhador que exercia sua função com dignidade. Na noite em que suas vidas foram interrompidas, Marielle retornava de uma agenda sobre mulheres negras movendo as estruturas. Todos esses elementos não são em vão, nos fazem compreender que corpos negros, femininos, favelados e de defensores de direitos humanos são tratados como descartáveis. Aqueles que mandaram matar Marielle o fizeram porque acreditavam que não haveria responsabilização.

Temos lutado para que a justiça reconheça o valor da vida daqueles que socialmente são considerados desprezíveis. É para mostrar ao mundo que a seletividade penal deve deixar de ser uma realidade neste país. É ver, pela primeira vez, pessoas do alto escalão do poder serem responsabilizadas.

É uma resposta àqueles que acreditam haver permissão para cometer violência política de raça e gênero. A democracia burguesa é racista, machista e LGBTfóbica, mas a Justiça precisa ir contra essa estrutura e reconhecer que a reprodução dessas desigualdades é insustentável.

Confiamos que a justiça que começou com a condenação dos executores do crime, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, se manterá firme na condenação dos mandantes.

Para nós, este julgamento não é apenas um rito jurídico. É a oportunidade de construir um país melhor com esperança de que ninguém mais passe pelo que passamos. Sabemos que a justiça pela qual lutamos não termina no processo penal, mas ela é fundamental para que o legado seja levado adiante por todos os injustiçados deste país.

Marielle virou símbolo, nome de praça, enredo e agora jurisprudência internacional. Mas, para nós, ela e Anderson continuam sendo a filha, a irmã, a mãe, a esposa, o pai e o esposo que nos foram roubados. O veredito que esperamos não os trará de volta, mas deve ser exemplo para trazer o país para os trilhos da justiça em uma luta que não acaba aqui.

Lutamos por quase oito anos para responder às perguntas: “Quem mandou matar Marielle Franco e Anderson Gomes e por quê?”. Esperamos que, neste julgamento, possamos afirmar essas respostas.


Marinete Silva
Antônio Francisco
Anielle Franco
Luyara Franco
Mônica Benício

Respectivamente, mãe, pai, irmã, filha e viúva de Marielle Franco

Agatha Arnaus
Viúva do motorista Anderson Gomes

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2 Comentários

  1. “Aqueles que mandaram matar Marielle o fizeram porque acreditavam que não haveria responsabilização.” “acreditam haver permissão para cometer violência política de raça e gênero. A democracia burguesa é racista, machista e LGBTfóbica”.

    Trecho acima retirado do texto. Ridiculo essa tentativa de sempre levar pra esse lado com essas frases prontas. Essa moça era negra, mas o rapaz nao, e ai? teve racismo contra ele, branco? As pessoas q matam nao fazem isso por q nao tem responsabilização, fazem pq ACHAM Q NAO VAO SER PEGAS, justamente pq a esquerda junto do STF (o qual concedeu ao assassino responder em liberdade , mas nao para quem passa batom em estatua), essa dupla, é contra QUALQUER AUMENTO DE pena pra bandido, é contra presos desse tipo ficarem presos quando pegos e nao responder em liberdade como é hoje. Essa esquerda vagabunda se junta na camara pra IR CONTRA qualquer projeto de lei q endureça penas contra criminosos como esses. Aaaa e ja pediram desculpas ao bolsonaro hoje? vcs acusaram ele de participe ou mandante deste caso durante anos. Vcs de esquerda deveriam ser processados por calunia e difamação. E sim, quero justiça pela mariele, pelo orelha, pela freira morta por cara com tornozeleira que deveria estar preso, pelo cidadao americano q tomou tiro no pescoço dando palestra em universidade. Pelo bolsonaro q tomou facada de militante de esquerda e o mandante ate hoje nao foi preso, Justiça deveria ser igual pra todos, e sem mentiras lacradoras.

  2. pra variar meu comentario em blog de esquerda é apagado, só pq falei verdades, uma delas q vcs devem desculpas e devem processo pro bolsonaro o qual acusaram de fazer parte dos mandantes deste crime, e outra verdade, q o rapaz nao é negro, entao nao vale a carta do racismo, crimes sao cometidos pq a esquerda e o STF nao querem leis duras contra criminosos, pq recebem dinheiro deles para serem lenientes e soltarem habeas corpus

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