Justiça por Orelha: precisamos transformar dor e revolta em ações

Da FOLHA

Por ROSANA HERMANN

  • A brutalidade contra o cãozinho que vivia na comunidade não pode ficar impune
  • A busca por justiça exige cautela, já que os apontados como autores da violência são menores de idade

Passei dias chorando sem conseguir me manifestar sobre o assassinato do cãozinho comunitário de Praia Brava, em Florianópolis, o Orelha.

Para mim, que criei dois filhos que hoje são adultos amorosos, gentis e humanos, e tenho nove cachorros, é incompreensível que um grupo de adolescentes tenha cometido essa atrocidade. Como esses jovens foram capazes de um ato tão covarde, violento, de tamanha perversão? E por quê? Para quê?

Acalmei minha tormenta mental, consegui me esquivar das imagens e detalhes escabrosos e passei a acompanhar o que está sendo apurado e publicado na mídia e nas redes. E me deparei com outro problema gravíssimo: o poder do dinheiro, que pode coagir, ameaçar e até comprar impunidade.

Há outro dado importante nesse caso. Os responsáveis apontados pelo ataque bestial contra Orelha são menores de idade, o que impõe limitações ao que podemos ou não publicar. O processo está em andamento, o que faz com que todos os envolvidos precisem ser tratados como suspeitos. É difícil manter a cabeça no lugar quando a emoção toma conta da gente, mas é a única forma de agir dentro da lei. Expor dados dos possíveis envolvidos, fazer ameaças a familiares são crimes também.

Então, o que podemos fazer? Como buscar justiça por Orelha? O que podemos fazer, o que devemos fazer? A resposta nós sabemos. Precisamos transformar a dor que sentimos, a revolta pela covardia que fizeram com um cachorro dócil, velhinho, amado por toda uma comunidade, em ação.
A primeira coisa é não esquecer o que aconteceu. Não deixar que outras notícias nos distraiam a ponto de apagarem a busca de justiça por Orelha. Podemos acompanhar o que acontece no mundo, continuar nossas lutas, sem deixar essa de lado.

A segunda é cobrar respostas de autoridades, cobertura da mídia, apoio popular. Muitos artistas e celebridades com grande visibilidade estão engajados na busca por justiça para Orelha.

A terceira é exercer nosso direito de manifestação contra esse horror. Podemos, sim, marcar atos pacíficos de repúdio coletivo. Muitos já estão sendo divulgados nas redes sociais.

E a quarta é não perder a fé no coletivo. O Brasil é um dos países com maior população de animais de estimação do mundo. Somos 213 milhões de pessoas e cerca de 160 milhões de pets. Nós, que amamos os bichinhos, somos maioria absoluta. E temos lutado juntos para salvar pessoas e animais nas enchentes, nos desastres, na tragédia que acometeu o Rio Grande do Sul.

Se somos capazes de transformar uma obra de ficção como “Caramelo” no filme brasileiro de maior alcance do mundo na história de sua plataforma de streaming, top 3 entre os mais assistidos do mundo, certamente somos capazes de buscar justiça por um cachorrinho real, indefeso, inocente, que sofreu torturas cometidas por um grupo de adolescentes que levaram Orelha à morte.

Justiça por Orelha, justiça por todos nós.

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1 Comentário

  1. Conversa fiada do cacete este artigo. O Brasil é o país da impunidade, e pra menores de idade tem mais impunidade ainda. Texto demonstra indignação mas acha que o melhor a se fazer é “xingar no twitter”. O texto não se presta nem a defender a redução da maioridade penal.

    No Brasil o crime compensa, mesmo que chocar. O máximo que vai ser feito é reclamar e fazer “passeata da paz”…

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