REAG, PCC e a Arena do Corinthians: os diretores acusados

O Blog do Paulinho teve acesso à ata da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária do Arena Fundo FII, gestor das finanças do estádio do Corinthians, realizada em 26 de julho de 2023.

Trata-se da reunião em que os cotistas — leia-se Corinthians — aprovaram a substituição da BRL Trust pela REAG na administração do fundo.


Confira, na íntegra:

Ata da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária do Arena Fundo FII – 26-07-2023


Os dados são preocupantes.

A REAG, efetivamente, assumiu a administração em 1º de agosto de 2023.

Segundo o item “Deliberações”, os seguintes diretores foram indicados pela nova administradora como responsáveis pelo Arena Fundo:

“(…) a Nova Administradora indica seus diretores:
(i) o Sr. Silvano Gersztl, brasileiro, solteiro, economista, portador da carteira de identidade nº xxxxx-4 e inscrito no CPF sob nº xxxxx-32, responsável perante a RFB; e (ii) o Sr. Ramon Pessoa Dantas, brasileiro, solteiro, contador, portador da carteira de identidade nº xxxxx-8 e inscrito no CPF sob nº xxxxx-08, responsável perante a CVM.”

Ambos são investigados pelo GAECO como operadores do PCC.

À época, a administração do Corinthians garantia ter constituído um departamento de compliance eficaz, que, ao que parece — salvo combinação entre a REAG e cartolas — não funcionou adequadamente neste caso.

Vale lembrar que a empresa chegou ao clube pelas mãos de Adriano Monteiro Alves, irmão do então presidente Duílio “do Bingo”, à época CEO informal da gestão.


Silvano Gersztel, Ramon Dantas e o PCC

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) aponta que, além de administrarem fundos de investimento, Silvano Gersztel e Ramon Dantas, executivos da REAG, teriam desempenhado papel central em operações financeiras utilizadas para viabilizar a movimentação de recursos com possível ligação ao PCC.

Segundo os promotores, ambos aparecem como responsáveis por assinaturas e atos jurídicos fundamentais que permitiram a estruturação de negócios utilizados para ocultar a origem e a real titularidade de ativos ligados a integrantes do grupo criminoso.

Um dos principais casos citados é a aquisição da Usina Itajobi, em Catanduva (SP), realizada por meio do fundo Mabruk II, cujos recursos teriam origem em um operador financeiro apontado pelas investigações como ligado ao PCC.

Ramon Dantas

Ramon Dantas, então diretor executivo da Reag DTVM, assinou procurações públicas e contratos essenciais para a concretização da operação, atuando como representante legal da gestora.

Ele também aparece vinculado a outras transações imobiliárias e societárias envolvendo empresas relacionadas ao PCC, o que, para o Ministério Público, indica participação recorrente em estruturas usadas para dar aparência de legalidade a negócios suspeitos.

Silvano Gersztel

Silvano Gersztel assinou, pela Reag, como representante do fundo Mabruk II no contrato de compra da usina.

De acordo com o Gaeco, sua atuação ocorreu em momentos considerados estratégicos e indispensáveis para a operacionalização dos fundos utilizados pelo grupo, reforçando o entendimento de que não se tratava apenas de uma função burocrática.

Além disso, ambos figuram como sócios, junto com outros executivos da Reag, em uma holding empresarial que compartilha endereço com diversas empresas apontadas como de fachada.

Para os investigadores, essa estrutura facilitaria triangulações financeiras, simulação de operações comerciais e lavagem de dinheiro, mecanismos típicos usados para encobrir recursos de origem criminosa.

Silvano Gersztel, assim como Ramon Dantas, era um dos principais “laranjas” da REAG.

Mantinha relações com o crime organizado, mas também atuava em lobbies políticos.

Gersztel, entre diversas atribuições — mais de 100 fundos estão registrados em seu CNPJ —, representou a REAG na compra de uma parcela da participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná.


Fluxograma de lavagem de dinheiro do PCC através da REAG com os dois diretores do Arena Fundo, gestor do estádio do Corinthians, listados (Fonte: GAECO, republicado no ESTADÃO)

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