R$ 240 mil mensais garantirão Paz a Marcelo no Corinthians?

Após o vexame com Bruno Spindel, o Corinthians anunciou Marcelo Paz, ex-Fortaleza, como novo executivo de futebol alvinegro.

Segundo apuração, o acerto mensal gira em torno de R$ 240 mil, incluindo moradia, por meio de pessoa jurídica.

Haverá, ainda, premiações por metas que, se atingidas, poderão elevar substancialmente a remuneração.

No Fortaleza, Paz recebia cerca de R$ 130 mil mensais.

Seu trabalho como gestor no clube cearense possui feitos inquestionáveis: retirou a equipe da Série C do Brasileirão e a conduziu a uma sequência de títulos estaduais e regionais, além de acessos nacionais que culminaram em duas participações na Libertadores da América.

Fora de campo, é um personagem eminentemente político.

Trabalhou e se relacionou com os mais diversos grupos.

Marcelo Paz era comentarista esportivo quando chegou à diretoria de futebol do Fortaleza, em 2015.

No ano seguinte, assumiu a vice-presidência do clube, tendo como mandatário Eduardo Girão — senador que engana tanto na religião quanto no Senado, de onde defende o nefasto bolsonarismo.

Em 2017, rompeu com o “padrinho” e tornou-se presidente.

Permaneceu no cargo por sucessivas reeleições até o fim de 2023, quando o Fortaleza se transformou em SAF.

Na ocasião, Paz assumiu a função de CEO — movimento que adversários tratam como golpe.

Jade Romero

A esposa de Marcelo é Jade Romero (MDB), atual vice-governadora do Ceará.

Antes de aceitar o convite do Corinthians, o cartola acumulava os cargos de CEO do Fortaleza e de presidente da LFU (Liga Forte União) — função na qual permanece.

Também chegou a ser representante dos clubes na APFUT (Autoridade Pública de Governança do Futebol).

Essa movimentação política o colocou, ao lado de dirigentes de outras agremiações, em reuniões com Jair Bolsonaro, quando atuou na defesa da Medida Provisória nº 984, que previa o “direito de arena” como exclusividade do clube mandante — ou seja, apenas o time da casa teria direito aos valores de transmissão dos jogos.

Paralelamente, também se alinhou aos interesses do governo Lula, figurando como doador da campanha do governador Elmano de Freitas (PT), de quem sua esposa é vice.

Eis a incógnita do que poderá ocorrer no Corinthians.

O trabalho de Paz sempre esteve ligado à administração geral do clube, com perfil técnico e gerencial, sem envolvimento profundo com o cotidiano do futebol — justamente o oposto do que se espera de um executivo à frente do departamento.

A nota oficial do Corinthians, ao anunciar a contratação, deixa isso claro:

“O dirigente assume o cargo com o objetivo de fortalecer os processos internos, contribuindo com sua experiência em gestão esportiva, planejamento estratégico e desenvolvimento de projetos, além de aprimorar a integração entre as categorias de base e o futebol profissional do Corinthians.”

Abre-se espaço, portanto, para que conselheiros que hoje influenciam contratações e decisões do departamento sigam atuando livremente.

Esse foi um dos pontos que travaram a negociação com Bruno Spindel.

O profissional exigiu trabalhar sem a “colaboração” de políticos alvinegros.

Paz não se opôs.

Na prática, será subalterno dos conselheiros.

Somado a isso, o Corinthians segue no mercado em busca de alguém — de preferência um ex-atleta — para suprir a falta de traquejo de Marcelo no trato direto com jogadores, função semelhante à exercida por Alessandro nas gestões da Renovação e Transparência.

Este é o quadro.

Resta saber se haverá Paz para que o novo executivo consiga reproduzir, no Corinthians, o trabalho exitoso desenvolvido em um clube de exigências muito menores — ou se a opção por se submeter aos caprichos de cartolas acabará, em algum momento, voltando-se contra ele.

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