SAF do Vasco da Gama: a quem Lamacchia engana?

Circula a informação de que a SAF do Vasco da Gama estaria prestes a ser adquirida pelo “herdeiro” Marcos Faria Lamacchia, mais conhecido pela vida de playboy do que por grandes realizações empresariais.

E também por alguns problemas.

Antes de tratá-los, é necessário estabelecer a realidade.

Há tempos, a SAF do Vasco desperta interesse do pai, José Roberto Lamacchia, mas, sobretudo, da madrasta, Leila Pereira, que tem no clube cruzmaltino uma de suas paixões juvenis.

O negócio não avançava em razão do óbvio conflito de interesses.

Diante do desejo de Leila em permanecer na presidência do Palmeiras — a cartola trabalha por uma reforma estatutária que lhe permita mais uma reeleição —, talvez Marquinhos tenha surgido como a solução encontrada para tapar o sol com a peneira.

Acredita quem quer.

De antemão, defensores do negócio, alguns deles bem remunerados para elogiar, mentem ao afirmar que o enteado de Leila era apenas funcionário da Crefisa antes de se aventurar em voos solos.

O objetivo é claro: atenuar o discurso sobre o conflito de interesses.

Há comprovação, em ação judicial da própria financeira, de que Marquinhos e Leila figuravam como partes na condição de “representantes” da empresa.


PROBLEMAS DE MARQUINHOS

Entre os problemas que cercam Marquinhos Lamacchia, destacam-se dois comportamentos — um deles já condenado e outro ainda sob suspeita — que remetem a movimentações financeiras no exterior.

Em 24 de fevereiro de 2015, alcançado por investigações da Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Controle de Operações do Crédito Rural, o enteado de Leila foi multado em R$ 7,1 mil (aproximadamente R$ 15 mil em valores atualizados) pelo Banco Central.

O motivo?

O artigo 1º da Medida Provisória nº 2.224/2001, disponível no site do Planalto, previa a aplicação de multa pelo Banco Central (Bacen) a pessoas físicas ou jurídicas que deixassem de prestar informações sobre capitais brasileiros no exterior, ou o fizessem de forma incorreta.

Nesse contexto, seis anos depois, ocorreu uma movimentação financeira no mínimo curiosa envolvendo mãe (ex-esposa de José Roberto Lamacchia) e filho (Marquinhos).

Em 10 de novembro de 2021, Júnia de Campos Faria Ziegelmeyer formalizou, por contrato, um empréstimo de US$ 10 milhões a Marcos Faria Lamacchia — o mesmo que agora acena com especulados R$ 2 bilhões ao Vasco da Gama.

Cerca de R$ 55,3 milhões.

Segundo a cláusula 1.2, caso o montante fosse reembolsado no prazo de até um ano, não haveria incidência de juros; se o pagamento ocorresse entre um e dois anos (cláusula 1.2.1), seria aplicada taxa anual de 0,5%.

O dinheiro foi transferido em duas operações, nos dias 11 e 16 de novembro de 2021, para a conta nº 697xxxxxx, do Delta Bank, no exterior, em nome de Marquinhos Lamacchia: US$ 1 milhão e US$ 9 milhões, respectivamente.

Menos de cinco meses depois — e sete meses antes do vencimento do contrato de empréstimo —, Júnia Faria decidiu alterar o acordo, convertendo-o em “doação” e abrindo mão de receber a quantia.

Operação simulada ou presente de mãe?

O novo contrato reafirma, nas cláusulas 1.1 e 1.3, que toda a operação financeira foi realizada integralmente no exterior.

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