A máquina de intimidação contra Juca Kfouri e Jamil Chade

Há muito, entidades como CONIB (Confederação Israelita do Brasil) e FISESP (Federação Israelita do Estado de São Paulo) transformaram-se em aparelhos de defesa incondicional do governo israelense — governo este reconhecido internacionalmente por suas ações brutais em Gaza e por reiteradas violações a princípios humanitários básicos.
Essa postura, agressiva e invariavelmente alinhada ao discurso da ala mais dura da política israelense, manifesta-se na tentativa sistemática de silenciar qualquer voz que questione o massacre na Faixa de Gaza.
Virou método: críticos não são tratados como opositores de uma política de Estado — são imediatamente rotulados de “antissemitas”, como se criticar um governo equivaler a atacar um povo inteiro.
CONIB e FISESP, nesse contexto, desempenham papel ativo nessa engrenagem retórica.
Regimes e governos sob crítica intensa recorrem, historicamente, à manipulação narrativa: distorcem contextos, reduzem argumentos complexos a slogans acusatórios e transformam divergência em delito.
É a velha fórmula da propaganda política — a tática de converter dissenso em ameaça, crítica em crime, opinião em “perseguição”.
Não se trata de comparar pessoas ou entidades ao nazismo, mas é inevitável reconhecer que a lógica comunicacional é a mesma que estruturou as grandes máquinas de propaganda do século XX:
– descredibilizar críticos;
– criar inimigos imaginários;
– desviar o foco dos fatos concretos;
– atacar reputações para evitar o debate.
É esse o mecanismo de distorção acionado contra Juca Kfouri e Jamil Chade.
Ambos exerceram — e seguem exercendo — o jornalismo em sua essência: fiscalizar poder, denunciar injustiças e dar nome aos responsáveis.
No caso da guerra em Gaza, isso significa enfrentar a narrativa oficial de um governo denunciado em fóruns internacionais e acusado de violar direitos humanos.
Nenhum deles atacou o povo judeu ou propagou ódio religioso.
Ambos defenderam a liberdade, a pluralidade e a dignidade humana — inclusive do povo judeu, vítima histórica de perseguições e genocídios.
O que rejeitam — abertamente — é o massacre em Gaza.
A situação torna-se ainda mais grave quando se verifica que parte da grande imprensa cedeu às pressões.
A Folha decidiu interromper a colaboração de Juca Kfouri — um dos mais relevantes colunistas de sua história.
O UOL rompeu o vínculo com Jamil Chade — das vozes internacionais mais qualificadas.
Ambas as decisões ocorreram após campanhas intensas de difamação, acompanhadas por pressões explícitas de grupos organizados — entre os quais CONIB e FISESP.
Mesmo que os veículos neguem motivação política, como sempre fazem, o fato é que a coincidência é escandalosa e a cronologia fala por si.
A Folha e o UOL, ao invés de defenderem seus jornalistas, escolheram a saída mais covarde: proteger seus interesses comerciais e publicitários, deixando os profissionais expostos.
É eloquente, também, o silêncio da classe — salvo raríssimas exceções.
A covardia, nesses momentos, costuma ser majoritária.
O Blog do Paulinho é solidário aos jornalistas, repudia veementemente a submissão da Folha e do UOL e denuncia o comportamento retórico dessas entidades, semelhante à lógica da propaganda que, no passado, vitimou judeus em massa — justamente o tipo de prática que deveriam combater, preservar na memória e enfrentar, não reproduzir.
A escolha delas, porém, foi outra: ajoelhar-se, não diante da história de seu povo, mas do bandido, covarde e genocida Benjamin Netanyahu.
