O abismo entre brasileiros e os demais sulamericanos no futebol do continente

O domínio brasileiro na Copa Libertadores — que terá final entre Flamengo e Palmeiras —, com superioridade técnica abismal, não é obra do acaso.

É dinheiro.

Números da Sports Value mostram que o Brasileirão é hoje uma das ligas mais ricas do planeta, muito acima do restante da América do Sul.

Em 2024, o campeonato nacional foi o 5º que mais faturou com transferências: R$ 3,2 bilhões, atrás apenas de Premier League, Ligue 1, Liga Portugal e La Liga.

Nenhum outro torneio sul-americano sequer se aproxima do top 10 mundial.

A força financeira dos clubes brasileiros é evidente.

Palmeiras (R$ 410 milhões), Corinthians (R$ 318 milhões), Athletico-PR (R$ 264 milhões), Santos (R$ 194 milhões), Flamengo (R$ 102 milhões) e São Paulo (R$ 86 milhões) elevam o país a um patamar inalcançável para os vizinhos.

O estudo também revela que, mesmo sem liderar receitas de matchday, TV ou marketing, o Brasil segue muito acima das ligas continentais.

Em bilheteria e afins, o Brasileirão é o 11º no mundo (R$ 7,56 bilhões).

Em direitos de transmissão, ocupa o 10º lugar (R$ 3,24 bilhões).

O único ponto frágil é o marketing, apenas 14º — ainda assim, fora do alcance de qualquer outro país da região.

Enquanto Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai e demais mercados encolhem financeiramente, o futebol brasileiro disputa espaço com potências europeias.

Isso se reflete em estrutura, elencos, categorias de base e capacidade de investimento.

A consequência é inevitável: brasileiros monopolizam as fases finais da Libertadores e, novamente, decidirão o título.

Na era em que recursos definem competitividade, o abismo econômico transformou-se em abismo esportivo.

Imagine se a CBF fosse decente — e os clubes agissem coletivamente, em favor de uma liga — o salto que ainda poderia haver.

Talvez até competir globalmente pelos principais craques do planeta.

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