RCE do Corinthians está por um fio – e também o ano de 2026

Conforme antecipado na última semana, a Justiça de São Paulo recusou o plano de pagamento apresentado pelo Corinthians no Regime Centralizado de Execuções (RCE) e concedeu 60 dias para que o clube adeque sua proposta às exigências legais impostas pela decisão.
Caso isso não ocorra, o regime será extinto e todas as execuções individuais atualmente suspensas voltarão a tramitar normalmente.
O Blog do Paulinho teve acesso à íntegra da decisão.
Constata-se que o Corinthians errou — resta saber se por dolo ou incapacidade jurídica — na formulação da ação.
A Lei do RCE determina que ao menos 20% das receitas sejam destinados ao pagamento dos credores – obrigatoriamente.
Ao propor inicialmente 4%, e posteriormente 8%, o clube sabia — ou deveria saber — que agia em desacordo com norma legal inflexível, assumindo, por óbvio, o risco das consequências.
Em Parque São Jorge, todos foram enganados: torcedores, associados e conselheiros.
O magistrado responsável foi explícito ao afirmar que a proposta apresentada não se enquadra no RCE, mas sim em Recuperação Judicial, que seria o caminho correto — não adotado, evidentemente, por razões políticas.
Se, em 60 dias, o Corinthians não se adequar, perderá definitivamente a oportunidade de equalizar suas dívidas.
Enquanto isso, todos os valores penhorados em suas contas serão rateados entre os credores.
Um dos argumentos de defesa do clube era o de que pretendia destinar 8% aos credores do RCE, reservando 12% das receitas para impostos e demais pendências não contempladas pelo programa.
A Justiça, então, exigiu comprovação de que tais despesas estavam sendo quitadas.
O clube não apresentou porque segue inadimplente com os impostos.
A situação é grave.
Mantido esse cenário, com o provável fracasso do RCE e o restabelecimento imediato de bloqueios e penhoras, 2026 tende a ser ainda mais preocupante para o Corinthians.
