Cabeça da SAFIEL trabalhou, com contrato secreto, na gestão Augusto Melo (com documento)

Faz algum tempo que o Blog do Paulinho vem revelando a estreita ligação de Maurício Dornellas Tabbal Chamati — cabeça do projeto SAFIEL e parente da conselheira do Corinthians, Miriam Athiê — com o ex-presidente Augusto Melo e seus asseclas.
Em 31 de julho, comprovamos a doação do empresário à campanha presidencial do cartola.
Relembre:
Idealizador da SAFIEL bancou campanha de Augusto Melo à presidência do Corinthians –
Após a revelação, Maurício e Athiê passaram a difundir a versão de que o repasse não teria sido espontâneo, mas fruto de achaque promovido pelo ex-presidente.
Documentos e fatos mostram o contrário.
No palco de lançamento da SAFIEL estavam os principais apoiadores — quando não dirigentes — da gestão afastada sob acusação de associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado.
Secretamente, havia um contrato que amarrava todas as partes.


O COMITÊ
Em julho de 2024, Pedro Silveira, então diretor de finanças do Corinthians, organizou o chamado “Comitê Independente de Finanças”, criado, segundo o capítulo “Considerando que”, Item I, do ‘Termo de Confidencialidade’ assinado pelos participantes, para “assessorar e aconselhar em questões financeiras estratégicas do clube”.
Entre seus membros estava Maurício Chamati — sobrinho de Miriam Athiê e mentor da SAFIEL.
O contrato, porém, só foi formalizado em setembro — dois meses após o início dos trabalhos.
Naquele momento, o Blog do Paulinho já revelava que Silveira articulava com Manoel Félix Cintra, conselheiro do Corinthians, a viabilização de uma SAF na qual seria necessário, segundo então se apurava, aprofundar ainda mais o colapso financeiro do clube.
Em português claro: quebrar o Corinthians para depois comprá-lo.
Cintra, aliás, estava no palco do lançamento da SAFIEL.
Chamati, de acordo com o Item II do Termo, teve acesso a “informações confidenciais e sensíveis” sobre todos os acordos, contratos e pendências financeiras do clube.
Representaram o Corinthians na assinatura do documento: o presidente Augusto Melo, o diretor Vinicius Cascone e o gerente de finanças Luiz Ricardo “Seedorf” Alves — todos figuras de confiança da gestão.
A vigência do Termo era até 31 de dezembro de 2026 ou a destituição de Pedro Silveira — o que ocorresse primeiro.
Silveira caiu pouco depois — junto com Augusto.
Ainda assim, os Itens 5.1, 5.2 e 5.3 são cristalinos:
“(…) a Parte Receptora se compromete e se obriga a manter, por prazo de 5 (cinco) anos a contar da data do recebimento da Informação Confidencial, o mais absoluto e irrestrito sigilo quanto à referida informação”
“As disposições deste Termo serão retroativas e aplicáveis a quaisquer Informações Confidenciais que tenham sido anteriormente divulgadas entre as Partes no âmbito do Comitê e/ou no seu desenvolvimento”
“A divulgação indevida a quaisquer terceiros de qualquer Informação Confidencial divulgada pela Parte Reveladora à Parte Receptora no âmbito do Comitê e deste Termo, possibilitará a imediata rescisão deste Termo e sujeitará a Parte Receptora ao pagamento de uma compensação pecuniária de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), a título de multa, sem prejuízo dos prejuízos presumidos decorrentes da violação de confidencialidade”
Basta observar entrevistas de membros da SAFIEL — ou da própria Miriam Athiê — para constatar que dados sensíveis do clube, que só poderiam ter sido obtidos por quem tinha acesso ao Comitê, vêm sendo divulgados — quando não vazados a terceiros.

CASCONE E OS GAVIÕES DA FIEL
Em 09 de junho, Vinicius Cascone — um dos signatários do Termo que assegurava sigilo a Chamati — esteve na sede dos Gaviões da Fiel para apresentar um projeto de SAF.
A informação, publicada por Pedro Ramiro, foi repercutida por este Blog.
Relembre:
Cascone, a SAF e os Gaviões da Fiel –
Tratava-se da SAFIEL.
Após a visita, torcedores antes contrários à transformação do clube mudaram de opinião.

SAF e CORINTHIANS
O Blog do Paulinho não é contrário à transformação do Corinthians em SAF — desde que transparente e conduzida por gente séria.
Não é o que se vê.
Pelo modelo apresentado, os cinco maiores aportadores seriam, na prática, os donos do clube, indicando CEO e diretor de futebol.
Dificilmente Manoel Cintra — ex-parceiro de Kia Joorabchian e condenado pela CVM — ficaria de fora.
Miriam Athiê, lobista central do projeto, não costuma dar ponto sem nó — e contaria, ao que tudo indica, com o apoio financeiro (oculto) do sobrinho que auxiliou Augusto tanto na campanha quanto na gestão, que levou o Corinthians a uma dívida próxima de insolvência.
Segundo ela, foram investidos, até o momento, R$ 500 mil somente no projeto.
A empresa de Chamati, o Mercado Bitcoin, está condenada a pagar R$ 300 milhões por fraude em operações de criptomoedas, enquanto seu proprietário, em 2023, foi indiciado por estelionato — processo que tramitou sob sigilo na 2ª Vara Criminal de Uberlândia e acabou arquivado, diferentemente do caso milionário.
Estes apontamentos constam em relatório do compliance do Corinthians – aparentemente ignorados, pelo menos até o momento, pela diretoria do clube.

Trechos do Termo de Confidencialidade assinado por Maurício Dornellas Tabbal Chamati, da SAFIEL, com a diretoria de Augusto Melo, no Corinthians:




Paulinho, eu respeito muito o seu blog e respeito muito o seu trabalho investigativo (que é raro hoje em dia), mas essa notícia que voce trouxe está muito sem pé e cabeça. Isso está parecendo que algum conselheiro do clube entrou em contato com voce pra falar mal da Safiel