CBF entrega direção das Seleções a cartola alvo de múltiplas investigações por corrupção

Mantendo a tradição obscura, a CBF entregou a administração das Seleções Brasileiras — da base ao profissional — ao suspeitíssimo cartola Gustavo Feijó, aliado do ex-presidente Fernando Collor de Mello em Alagoas.
Ele será o responsável pela equipe nacional na Copa do Mundo que se aproxima.
O cargo é remunerado e hierarquicamente superior ao do agente de jogadores Rodrigo Caetano, atual executivo de futebol da “Casa Bandida”.
A lista de acusações e escândalos envolvendo Feijó é extensa.
Destacamos alguns dos principais episódios:
2015
O dirigente foi citado nos relatórios da CPI do Futebol, instaurada no Senado, entre os nomes com indícios de envolvimento em fraudes contratuais, favorecimento de terceiros em transferências de atletas e na gestão de federações estaduais.
2017
Gustavo Feijó foi alvo da Operação Bola Fora, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suposto esquema de caixa dois durante sua campanha à Prefeitura de Boca da Mata, em 2012.
As investigações apontaram para a entrada de recursos não declarados — inclusive valores que teriam origem na própria CBF — utilizados para financiar a eleição.
2019
O Ministério Público de Alagoas ingressou com ação civil por improbidade administrativa, acusando Feijó e outros envolvidos de desviar mais de R$ 28 milhões dos cofres públicos municipais.
Segundo a denúncia, o esquema envolvia licitações fraudulentas, empresas de fachada e notas fiscais frias, com contratos simulados de locação de veículos, fornecimento de combustível e prestação de serviços jamais executados.
Entre os contratos sob suspeita estão os da empresa Ômega Locação e Terceirização Ltda. e de um posto de combustíveis ligado a pessoas próximas ao ex-prefeito.
Paralelamente, a Justiça Eleitoral de Alagoas declarou Feijó inelegível por oito anos por abuso de poder político, após constatar o uso da máquina pública para favorecer a candidatura de um parente.
Capo do futebol alagoano
Por meio da presidência do filho Felipe Feijó — que passou a adotar o sobrenome “Omena” para disfarçar o parentesco —, o cartola comanda os negócios do clube Santa Rita.
O herdeiro é também o atual presidente da Federação Alagoana de Futebol.
Ainda em Alagoas, o Corinthians Alagoano tem outro parente do Diretor de Seleções da CBF no comando: o irmão João Dantas Feijó.
Gustavo Feijó trabalhou inicialmente para eleger Ednaldo Rodrigues e, depois, para derrubá-lo — movimento que parece ter despertado o afeto do novo presidente Samir Xaud, a ponto de indicá-lo, apesar (ou justamente por causa) de seu histórico, ao cargo mais importante da CBF, abaixo apenas da presidência.
