Conselheiros e associados cobram redução de custos e despesas no Corinthians

O Conselho Deliberativo do Corinthians se reunirá logo mais, às 19h, para votar a proposta de revisão orçamentária apresentada pela diretoria do clube.
Trata-se de uma tentativa de legalizar a ilegalidade.
Os conselheiros, anteriormente, aprovaram um orçamento que previa superavit de R$ 37 milhões, mas, na prática, a nova estimativa aponta para um déficit de R$ 87 milhões até o fim de 2025.
A revisão — já aprovada previamente pelo CORI — representa, em síntese, um salvo-conduto para que os gestores não sejam responsabilizados pela infração cometida, além de ainda “premiá-los” com autorização para novos gastos.
Preocupados com a situação, seis conselheiros e associados protocolaram na presidência do Conselho Deliberativo um pedido para incluir na pauta de votação uma terceira alternativa, além do simples “sim” ou “não” à revisão: a devolução das contas para reanálise, com foco na redução de custos e despesas do clube.
São eles: Roque Citadini, Marcelo Mandel, Yun Ki Lee, Fernando Perino, Wilson Canhedo Junior e Cyrillo Cavalheiro Neto.
Confira abaixo a íntegra da petição.

Ao Ilustríssimo Presidente do Conselho Deliberativo, 2024–2026, do Sport Club Corinthians Paulista Conselheiro Romeu Tuma Junior
Assunto: Requerimento para Reavaliação Urgente da Revisão Orçamentária do ano/calendário de 2025, com Foco na Redução de Custos e Despesas
Os conselheiros e associados ao final nominados, qualificados e devidamente firmados vêm, por meio deste requerimento, solicitar a reavaliação da revisão orçamentária do ano/calendário de 2025, com foco na redução de custos e despesas, recentemente apresentado.
A presente solicitação fundamenta-se na análise preliminar do referido documento revisional não incorpora uma redução significativa e estratégica dos custos e despesas.
Em um cenário financeiro que exige prudência e rigor, a manutenção ou o crescimento desproporcional de custos e despesas, representa um risco considerável à sustentabilidade econômica do Sport Club Corinthians Paulista.
Não bastasse a não aplicação de medidas de austeridade com redução de custos e despesas, verifica-se que existe um aumento significativo de custos e despesas orçamentarias – ora, não existiu nenhum fato novo excepcional para alteração do orçamento aprovado de forma regular e na situação tenebrosa que o Corinthians se encontra. É NECESSÁRIO que o “novo” orçamento possua, como premissa, a redução de custos e despesas.
É imperativo que a gestão orçamentária do Corinthians reflita um compromisso inabalável com a eficiência e a responsabilidade econômica e fiscal. A ausência de um plano robusto de contenção, austeridade e otimização de gastos pode comprometer:
- (i) a saúde financeira do Clube a curto, médio e longo prazo, dificultando o equacionamento de dívidas e a realização de investimentos estratégicos em áreas vitais, como o futebol e a infraestrutura;
- (ii) a capacidade de manutenção em setores-chave, como as categorias de base, que representam o futuro esportivo e patrimonial do Corinthians;
(iii) credibilidade da gestão junto aos associados, parceiros, credores, torcedores e demais interessados e participantes, que esperam transparência e austeridade na administração dos recursos; e - (iv) conformidade com os princípios de boa governança corporativa, que preconizam a alocação eficiente dos recursos e a busca pela maximização do valor da instituição.
É evidente que a revisão orçamentária, como a pretendida, configurará uma ação completamente desamparada das boas práticas de gestão e governança. Algo que é impensável e inadmissível em uma instituição com faturamento superior a um bilhão de reais.
Há informações de que a Diretoria Executiva buscou adiantar diversos valores referentes às cotas de televisão, patrocinadores e demais formas de recebimento de valores do exercício de 2026 e seguintes para arcar com obrigações de 2025. Assim os impactos de qualquer revisão que não esteja lastreada com uma redução EFETIVA dos custos e despesas é incabível.
Diante do exposto, e em estrita observância aos deveres destes e de diligência que pautam a atuação de qualquer gestão e órgão fiscalizador, requer-se formalmente que a Proposta de Revisão Orçamentária do ano/calendário de 2025 seja devolvido para reanálise e profunda revisão, com a expressa determinação de que sejam implementadas medidas concretas e audaciosas para a redução dos custos e despesas.
Assim, requer-se que seja incluída a possibilidade de alternativa de votos aos Nobres Conselheiros que concordarem com a Reanálise da Revisão Orçamentária, da forma proposta abaixo:
Sim, aprovo a revisão ( ). Não, reprovo a revisão ( ). Reanálise da Revisão ( ).
Sugere-se, respeitosamente, que o Conselho Deliberativo designe uma comissão específica ou até mesmo indique a Comissão de Finanças deste nobre Conselho, em conjunto com o Comitê de Planejamento Estratégico e Reestruturação Financeira, e com auxílio de especialistas externos, se debruce sobre as planilhas orçamentárias, identificando e cortando despesas supérfluas, renegociando contratos e buscando novas formas de otimizar a estrutura de custos do Clube, sem prejuízo da performance esportiva e da qualidade dos serviços oferecidos aos associados.
Termos em que,
Pede deferimento.
São Paulo, 03 de outubro de 2025.
Assinam:
Antônio Roque Citadini – 910101-00
Marcelo Kahan Mandel – 310762-00
Yun Ki Lee – 307006-00
Fernando do Amaral Perino – 911847-00
Wilson Canhedo Jr. – 211325-00
Cyrillo Cavalheiro Neto – 316832-00
