Citadini não esperaria reforma estatutária para separar os caixas do Corinthians

Repercutiram amplamente as sugestões de reforma estatutária do Corinthians, protocoladas pelo conselheiro Roque Citadini em conjunto com o associado Cyrillo Cavalheiro Neto – que é advogado.
O tema central é a separação da contabilidade do clube.
Dinheiro do futebol seria investido exclusivamente no próprio setor (masculino, feminino e base); patrocínios e subsídios governamentais — que já existem — seriam direcionados aos esportes olímpicos; enquanto os demais departamentos, de prática recreativa, precisariam se autossustentar.
Basta observar as discussões sobre o assunto durante todo o dia de ontem para constatar a inexistência de oposição relevante à ideia.
Salvo, é claro, entre os adeptos dos chamados “esportes alcoólatras” do clube — pessoas que se utilizam de espaços que deveriam priorizar a prática esportiva para comercializar votos e usufruir de comes e bebes fornecidos por cartolas.
Estes, para manter seus privilégios, dependem da permanência do atraso financiado pelo futebol.
Se tivesse sido eleito nas eleições em que disputou, Citadini implementaria essas reformas desde o primeiro minuto de mandato, independentemente de previsão estatutária — há anos fazem parte de seu discurso.
Nada impede, por exemplo, que Osmar Stabile as adote imediatamente.
Por que não o faz?
Falta coragem, mas sobra esperteza política.
Vítima desse ambiente há décadas — ao qual se recusou a aderir, permanecendo na oposição —, Citadini concluiu que somente por OBRIGAÇÃO, e nunca por iniciativa republicana, os presidentes do Corinthians seriam capazes de realizar a adequação contábil necessária para que o clube utilize recursos do futebol exclusivamente no departamento que os gera, obrigando os demais a abandonarem o parasitismo.
A bola agora está com os conselheiros, que podem optar por mandá-la para a rede ou mantê-la no campo defensivo, em atendimento aos interesses de poucos privilegiados que, há anos, obstam o crescimento de um colosso com mais de 30 milhões de torcedores.

Ao Ilustríssimo Presidente do Conselho Deliberativo, 2024-2026, do Sport Club Corinthians Paulista, Conselheiro Romeu Tuma Junior.
Assunto: Proposta de Alteração Estatutária – Segregação Contábil e Orçamentária entre Departamento Social e Departamento de Futebol.
Os associados e conselheiros ao final nominados, qualificados e devidamente firmados vem, por meio da deste requerimento, apresentar formalmente a presente proposta de alteração ao Estatuto Social do Sport Club Corinthians Paulista, com o objetivo de estabelecer uma regra clara de segregação contábil e orçamentária entre as atividades do Clube Social e do Departamento de Futebol (incluindo-se, neste último, o futebol profissional masculino, feminino e categorias de base), bem como para definir as diretrizes de custeio das demais modalidades esportivas.
Esta proposta visa a aprimorar a governança, a transparência, a responsabilidade fiscal e a sustentabilidade do Sport Club Corinthians Paulista em todas as suas esferas.
Registre-se, por oportuno, que, atualmente, o nosso Estatuto Social não prevê de forma explícita e detalhada a separação contábil e orçamentária das diversas áreas do Clube, o que vem a dificultar uma análise individualizada de desempenho e a responsabilização financeira de cada departamento.
Nestes termos, a presente proposta de emenda ao Estatuto Social busca, justamente, instituir o princípio fundamental de segregação contábil e orçamentária.
Proposta de Alteração:
Sugere-se a inclusão de um novo artigo ou a reestruturação de artigos existentes no Estatuto Social, conforme a seguir:
Art. [Novo Artigo]. Gestão Financeira Segregada por Departamento.
§ 1º. A gestão contábil e orçamentária do Sport Club Corinthians Paulista deverá ser segregada por departamentos, visando à transparência, à autonomia financeira e à sustentabilidade de cada área de atuação.
§ 2º. O Departamento de Futebol, englobando as equipes profissionais (masculina e feminina) e as categorias de base, terá suas receitas e despesas geridas de forma autônoma.
Os valores provenientes de suas atividades – incluindo, mas não se limitando a direitos de transmissão, patrocínios específicos do futebol, transações de atletas, bilheteria e programas de sócio torcedor, dentre outros – deverão ser alocados para o financiamento exclusivo das despesas, investimentos e desenvolvimento do próprio Departamento de Futebol.
§ 3º. O Departamento Social do Clube deverá possuir orçamento e gestão financeira independentes. Seus custos de manutenção, infraestrutura, atividades recreativas e
eventos sociais serão primariamente cobertos pelas receitas geradas por suas atividades, tais como mensalidades associativas, taxas de serviços e locação de espaços e
patrocínios específicos da área social, dentre outros.§ 4º. As modalidades esportivas olímpicas deverão, com o apoio estratégico e institucional do Departamento de Marketing, relações públicas e afins do Clube, buscar suas fontes de financiamento externas, tais como patrocínios específicos, convênios com entidades públicas e privadas, e a utilização de mecanismos de incentivo fiscal e leis de fomento ao esporte (a exemplo da Lei de Incentivo ao Esporte). O Estatuto ou regulamento interno deverá estabelecer as diretrizes para a criação de um fundo ou procedimento para a gestão transparente e aplicação exclusiva destes recursos em prol das modalidades olímpicas.
§ 5º. As modalidades esportivas não olímpicas e/ou de caráter exclusivamente recreativo serão prioritariamente subsidiadas por receitas provenientes das mensalidades do Departamento Social e/ou por taxas extraordinárias específicas para sua manutenção e desenvolvimento, a serem definidas e aprovadas pelos órgãos competentes do Clube, com base em seu planejamento orçamentário.
Justificativa:
A presente proposta fundamenta-se na necessidade premente de aprimorar a governança do Sport Club Corinthians Paulista, garantindo maior responsabilidade fiscal e transparência na alocação de recursos.
1. Separação Contábil entre Clube Social e Futebol:
A atual estrutura, que muitas vezes confunde os orçamentos do Clube Social e do Futebol, impede uma análise clara do desempenho financeiro de cada setor. Ao separar as contas, será possível identificar a real saúde financeira de cada área, promover uma gestão mais eficiente e evitar que prejuízos ou sucessos de um departamento mascarem a realidade do outro. O Clube Social terá autonomia para gerir seus recursos e buscar sua autossustentabilidade, enquanto o futebol terá seus resultados diretamente relacionados aos investimentos feitos em suas próprias receitas.
2. Financiamento do Futebol pelo Futebol:
É imperativo que os valores significativos gerados pelas atividades do futebol (direitos de TV, patrocínios e transações de jogadores, dentre outros) sejam prioritariamente reinvestidos no próprio futebol – abrangendo o profissional masculino, o feminino (em franco crescimento e importância) e as categorias de base (celeiro de talentos e ativo do Clube). Esta medida assegura que o principal marco do Clube, que gera a maior parte das receitas e da visibilidade, tenha os recursos necessários para sua competitividade e desenvolvimento sustentável, sem depender de subsídios de outras áreas.
3. Sustentabilidade das Modalidades Olímpicas:
As modalidades olímpicas, notadamente relevantes para a representatividade do Corinthians no cenário esportivo nacional e internacional, demandam investimentos
específicos. O modelo proposto visa a desonerar o orçamento geral do Clube, estimulando que estas modalidades busquem seu próprio financiamento através de patrocínios direcionados e, crucialmente, pela utilização de ferramentas governamentais como a Lei de Incentivo ao Esporte. O Departamento de Marketing do Clube deve atuar como um facilitador e incentivador na captação desses recursos externos, profissionalizando a gestão destas modalidades.
4. Financiamento dos Esportes Não Olímpicos/Recreativos:
Os esportes de caráter recreativo ou não olímpicos, que servem diretamente aos interesses e ao bem-estar dos associados do Clube Social, devem ser sustentados por estes. A vinculação de seus custos às mensalidades do Clube Social e/ou a taxas extraordinárias específicas garante que os recursos arrecadados dos associados sejam aplicados em benefício direto de suas atividades e infraestrutura, fomentando a participação e a valorização do quadro social.
Impacto Esperado da Alteração:
A implementação destas alterações estatutárias trará os seguintes benefícios:
Maior Transparência – Facilitará a fiscalização das finanças por parte dos associados e órgãos de controle do Clube.
- Responsabilidade Fiscal – Promoverá uma gestão orçamentária mais rigorosa e responsável em cada departamento.
- Sustentabilidade – Caminho para a autossustentabilidade financeira de cada área, reduzindo a dependência cruzada de receitas.
- Tomada de Decisão Qualificada – Fornecerá dados financeiros claros para decisões estratégicas mais embasadas.
- Valorização das Modalidades – Incentivará a busca por eficiências e fontes de receita próprias em todos os setores.
Considerações Finais:
Acreditamos que a presente proposta representa um avanço significativo na modernização da gestão do Sport Club Corinthians Paulista, alinhando-o às melhores práticas de governança corporativa e garantindo um futuro mais sólido e transparente para todas as suas esferas de atuação.
Colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais ou para debater os termos e a implementação desta importante proposição.
São Paulo/SP, 12 de setembro de 2025.
Nome: Antônio Roque Citadini
Posição: Conselheiro Vitalício
Matrícula: 133333
Nome: Cyrillo Cavalheiro Neto
Posição: Associado
Matrícula: 316862
