R$ 446 milhões: o rastro de prejuízos dos Monteiro Alves no Corinthians

É quase impossível calcular o rastro de destruição financeira deixado pelos irmãos Monteiro Alves — Duílio e Adriano — no Corinthians.
Entre transações suspeitas de jogadores, gastos com cartões corporativos e notas fiscais com indícios de falsidade — valores ainda a serem apurados pela Justiça — destacam-se prejuízos já confirmados.
Ao todo: R$ 446 milhões.
Mesmo assim, as contas de Duílio foram aprovadas em Parque São Jorge.
R$ 92,6 milhões – Caso Alexandre Pato
Duílio, sem ocupar cargo oficial, foi responsável pela operação da contratação de Alexandre Pato, que resultou no pagamento de R$ 40 milhões, quando o Milan oferecia empréstimo gratuito.
Corrigido, o prejuízo chega a R$ 92,6 milhões.
Paralelamente, dinheiro circulou nos Estados Unidos em contas de empresas ligadas ao cartola, como a Providence.
R$ 35 milhões – Acordo com a TAUNSA
Na presidência, em conjunto com o irmão Adriano, os prejuízos aumentaram.
Em estranha ação sob sigilo — com anuência do próprio Corinthians —, o clube cobra R$ 35 milhões (corrigidos) da empresa TAUNSA, de capital social fajuto.
O contrato foi assinado em desacordo com parecer do compliance.
R$ 100 milhões – Arena Fundo FII
Duílio e Adriano também articularam a troca da gestão do Arena Fundo FII, que administra as contas do estádio de Itaquera.
No lugar da BRL Trust entrou a REAG, investigada por ligações com o PCC.
Trocaram também a auditoria: o dono da nova empresa era sócio da auditada.
Nesse processo, o Corinthians — no intervalo da troca de comando jurídico (de Heroi Vicente para Daniel Bialski) — assinou confissão de R$ 100 milhões em pendências com o Fundo, valor que desde 2014 vinha sendo negado.
Nem o Conselho Deliberativo, nem o CORI foram informados.
O balanço oficial do clube tampouco registra a confissão.
R$ 1,5 milhão – Dívida com a KPMG
No último dia de mandato, Duílio “do Bingo” assinou confissão de dívida com a KPMG, no valor de R$ 1.520.819,89.
O caso ainda é discutido na Justiça.
R$ 217 milhões – Empresários
Na última semana de gestão, Duílio fez o Corinthians confessar R$ 217 milhões em dívidas a sete empresários — entre eles o trio Bertolucci, Leite e Garcia, além de André Cury.
As dívidas foram calculadas sem descontos, com juros sobre juros, em claro prejuízo ao clube.
Fernando Garcia, irmão de Paulo Garcia, foi o único a receber o pagamento à vista, em acordo subterrâneo com o presidente sucessor, Augusto Melo.
Os demais seguem na Justiça, com juros e correções em crescimento.

Os Monteiro Alves
Todos os Monteiro Alves ligados ao Corinthians estão há décadas com contas e bens bloqueados.
É improvável que consigam explicar como se mantiveram financeiramente tanto tempo no poder, ocupando cargos não remunerados no clube.
