A presença americana muda a política no país

De O GLOBO
Por FERNANDO GABEIRA
Durante a guerra fria, os Estados Unidos derrubaram 70 governos, em operações abertas ou clandestinas
Um amigo editor de uma revista portuguesa pediu um artigo sobre o Brasil. Escrevi a respeito da crise, mostrando o que o país tem de bom para garantir sua soberania: florestas, água, minerais estratégicos, alimentos, uma lista invejável.
Depois de enviar o artigo, me dei conta de que não abordei como deveria o que me parece a grande novidade na situação política nacional. Parece que ela mudou completamente. Estávamos acostumados com a polarização entre o governo e a oposição bolsonarista. De repente, entrou em cena um ator gigantesco: o governo americano de Donald Trump. A oposição bolsonarista deixou sua condição de protagonista e se tornou coadjuvante. Ela celebra ações americanas e se dedica a anunciar novas incursões punitivas. Tarifaço, supressão de vistos, Lei Magnitsky, e alguns deliram com a possibilidade de fechamento de bancos e desligamento do Waze. Parecem meninos que se agarram na perna do irmão mais velho que vai brigar por eles.
O resultado disso é que o problema da soberania nacional se tornou decisivo e deverá influenciar fortemente as próximas eleições. Isso fortalece o favoritismo de Lula. A intromissão americana no Brasil é rejeitada pela maioria, ao contrário da Venezuela, onde há uma ditadura, e a eleição foi roubada.
Se o risco de o governo perder as eleições se tornou menor, outros riscos se apresentam no horizonte. Um deles é fantasiar a China como aliado solidário, esquecendo que se trata de uma potência com seus interesses estratégicos bem definidos. No momento, a China negocia com os Estados Unidos a compra de soja americana, o que seria uma perda para os exportadores brasileiros. O ideal para o Brasil é diversificar, fechando o acordo Mercosul-Europa e ajustando sua posição ainda meio ambivalente sobre a guerra na Ucrânia.
Outro perigo é confundir governo Trump com os Estados Unidos e se perder num antiamericanismo estéril. Nem todos concordam com a política para imigrantes, universidades, cientistas, nem com como Trump atropela o sistema legal do país. A verdade é que a resposta ainda é tímida, houve alguma capitulação, mas há uma lenta tomada de consciência.
Um terceiro perigo é entender a questão da autonomia nacional como algo principalmente retórico, subestimando os passos objetivos para que ela possa se afirmar. Há muito o que fazer em infraestrutura digital, redes de alta velocidade, satélites, data centers. O cargo de ministro das Comunicações não pode ser mais algo que se barganhe com o Centrão, como se não tivesse nenhuma importância estratégica.
Finalmente, uma vez que o tema é muito vasto, é preciso tomar consciência da dimensão do adversário que entrou em cena. É simplesmente o mais poderoso do mundo. Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos derrubaram 70 governos, em operações abertas ou clandestinas. Trump assinou um decreto autorizando o Exército a fazer operações contra o tráfico nos países latino-americanos, independentemente da autorização de governos. Logo teremos problemas na fronteira norte, com a Venezuela.

aaaa que bom, ja estao vendo q o b.o. é mais embaixo né. Ficaram ai gritando soberania sem nem se atentar q o mundo é globalizado e interdependente a decadas. Só está errado em dizer q lula ganhará eleição por brigar com trump, não, a populaçao nao está tao burra acompanhando só a globo mais nao. Ta cheio de gente q votou em lula q percebeu q é um mentiroso (pra dizer o minimo), q sabe q foi roubada sua aposentadoria. Sobre o trecho “Há muito o que fazer em infraestrutura digital, redes de alta velocidade, satélites, data centers”, E porque em 20 anos de PT nao fizeram isso? agora q o trump bateu vao acordar? agora é tarde. E sim, vivemos numa ditadura sim, onde um togado manda em tudo, prende, deixa mofar na cadeia ate a morte quem ele nao quer vivo, persegue, e pior, cade VCS FALANDO DA VAZA TOGA. To esperando, só aquilo ali, ja deveria anular todos processos onde esse pseudo juiz esteja envolvido. estou falando isso com base legal, nao adianta vir com falácias.