Saiba quem é o ‘Pastor Mala’, utilizado para vazar documentos internos do Corinthians

Nas últimas semanas, o perfil do Twitter @Prmalaoficial tem publicado faturas de cartões corporativos de presidentes do Corinthians ligados ao grupo “Renovação e Transparência” — mais precisamente, Andrés Sanchez e Duílio “do Bingo”.

A identidade do influenciador, até o momento, era um grande mistério.

Agora, não mais.

O Blog do Paulinho descobriu de quem se trata.

Luiz Carlos Martucci Junior

Pastor Mala é a alcunha de Luiz Carlos Martucci Junior, 41 anos, nascido em 7 de novembro de 1983, portador de dois CPFs: 102.855.xxx-xx (inativo) e 303.xxx.xxx-xx (ativo).

A identificação foi possível após recebermos, de ótima fonte, o número de telefone que originou o cadastro da conta no X.

Durante a apuração, descobrimos que a linha estava registrada em nome de Luiz Carlos, o Mala.

Entramos em contato com ele, mas não obtivemos resposta.

Há alguns anos, Mala chegou a divulgar um perfil com sua foto original, mas se arrependeu e criou uma nova conta, desta vez mantendo o anonimato.

Sem constrangimento, apresentava-se assim:

“Pastor, foragido da Justiça e preso por receptação. Adora criar fakes e fazer doxxing.”

Doxxing é a prática virtual de pesquisar e divulgar dados privados sobre um indivíduo ou organização.

Martucci esteve ligado a dois CNPJs — Tradjan Comércio de Eletroeletrônicos, Serviços e Representações Ltda. e Luiz Carlos Martucci Junior EPP —, ambos considerados inaptos por sonegação de impostos.

Fontes policiais informaram ao blog que Martucci possui ligação com cooperativas de ônibus investigadas por lavagem de dinheiro do crime organizado.


ROLOS POLICIAIS

Prisão por Receptação

Mala foi preso em flagrante no dia 10 de agosto de 2015, após ser apanhado dirigindo um veículo com motor roubado.

Autuado por receptação, pagou fiança de R$ 800 para responder pelo crime em liberdade.

Em depoimento, o “pastor” declarou:

“(…) que comprou, no dia 2 de agosto de 2015, o veículo em uma feira do rolo localizada atrás do Mercado Master, no bairro de Guaianases.”

“Comprou de um indivíduo conhecido por ‘Vado’, pelo valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais), sendo este valor reduzido devido às dívidas decorrentes de alienação.”

“Não sabia que o motor do carro era roubado.”

Em 24 de maio de 2016, Mala foi beneficiado com o sursis, que é a suspensão condicional do processo aplicada a réus em crimes de menor potencial ofensivo.

No entanto, ele havia fugido antes mesmo de ser citado, provavelmente por temor da condenação.

O Ministério Público de São Paulo, em 27 de junho de 2016, suspendeu a proposta de sursis e declarou-o foragido.

A prisão preventiva de Mala foi decretada em 28 de novembro de 2017, pelo juiz Vicente Luiz Adua, da 14ª Vara Criminal.

Oito anos depois, em 16 de maio de 2024, a Justiça decretou a prescrição do processo — cujo prazo era de quatro anos —, livrando o influenciador da possibilidade de prisão:

“Ante o exposto, julgo EXTINTA A PUNIBILIDADE de LUIZ CARLOS MARTUCCI JUNIOR, na forma do artigo 109, inciso V, c.c. artigo 107, inciso IV, ambos do Código Penal, bem como artigo 61 do Código de Processo Penal.”

“Quanto ao veículo apreendido, tendo decorrido mais de 90 (noventa) dias do trânsito em julgado, não havendo manifestação do proprietário, com fundamento no art. 123 do CPP, determino a sua venda em leilão, depositando-se o saldo à disposição do Juízo de Ausentes e, caso não possua valor econômico, autorizo a destruição. Retire-se da pauta de audiências.”

 


Lavagem de Dinheiro

Em 21 de março de 2019, Mala foi detido pelo DENARC sob suspeita de lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas.

Diz trecho do inquérito policial:

“(…) policiais civis integrantes da equipe Falcão 66 estavam em diligências pela Rua Aranha de Vasconcelos, na altura do número 141, no bairro do Parque do Carmo, onde, em campana velada, observaram que um veículo da marca FIAT/Meriva estacionou no local. Dele desembarcou um indivíduo, que foi devidamente abordado e identificado como LUIZ CARLOS MARTUCCI JUNIOR.”

“Diante disso, os policiais o questionaram sobre a existência de tráfico de drogas naquele local, ocasião em que, após tomar ciência da denúncia, franqueou o ingresso dos agentes ao interior do imóvel.”

“Ao serem realizadas buscas na residência, foi localizada a quantia de R$ 71.640,00 (setenta e um mil, seiscentos e quarenta reais) em dinheiro trocado, acondicionado em um esconderijo sob a cama.”

O caso foi arquivado após Irenildo Silva de Santana, diretor da Imperial Transportes — cooperativa de ônibus urbanos com mais de 150 veículos que presta serviços à SPTrans — alegar que o dinheiro pertencia à empresa.

Santana declarou ainda que havia pedido a “Mala” para guardar os valores em sua residência, com o pretexto de se proteger de possíveis assaltos.

A Imperial é investigada por relações com o crime organizado; dois de seus dirigentes já estiveram envolvidos em investigações por homicídio, improbidade administrativa, entre outros delitos.

 

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