Osmar Stabile: o que esperar do Presidente temporário do Corinthians?

“Sou um patriota e entusiasta do contragolpe preventivo (pois é assim que boa parte que os historiadores sem ideologias pré-concebidas enxergam “1964″)”
(OSMAR STABILE)
Osmar Stabile assumiu ontem, de maneira interina – tudo indica que por sessenta dias, a presidência do Corinthians após o afastamento preventivo de Augusto Melo, acusado de furtar dinheiro do clube.
O que esperar de sua gestão?
Osmar terá grande dificuldades em realizar alterações profundas em Parque São Jorge.
Para tal, precisaria abdicar de relações pessoais complicadas.
Nomes importantes da gestão Augusto Melo – e isso não se trata de elogio – são, na origem, correligionários de Stabile.
Alguns mantidos financeiramente por ele.

O principal deles, Marcelo Mariano, indiciado por furto qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
A dupla trabalhou junta na Bendsteel – empresa que Osmar mantém em São Paulo, na gestão Dualib, nas campanhas presidenciais ao longo de quase duas décadas, incluindo a última, que terminou de maneira melancólica.
É pouco provável que Marcelinho tenha se marginalizado somente agora.
Em 2016, o Corinthians foi condenado a ressarcir R$ 660 mil (R$ 1,2 milhão corrigido) aos cofres públicos.
O rolo ocorreu anos antes, quando Marcelinho era Diretor de Futsal, subordinado a Osmar Stabile, que era vice-presidente de Esportes Terrestres.
À época, o Timão foi autuado pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) por irregularidades cometidas no repasse de verbas públicas da Prefeitura de Osasco para o clube.
R$ 330 mil saíram dos caixas do Município, a pretexto da realização de parceria da equipe do Futsal alvinegra com a cidade.
O projeto não saiu do papel.
Os valores nunca foram devolvidos a Osasco, e, segundo informações, não constaram, também, na contabilidade do clube.

Outros personagens ativos na gestão Augusto Melo ‘emprestados’ por Stabile são: Haroldo Dantas, Roberto William Miguel, Eduardo Lopes, etc. – para ficar nos mais atuantes.
Dantas, parceiro da UJ Football, empresa acusada de lavar dinheiro do PCC, destino final do dinheiro da Vai de Bet, advogou para Stabile em casos extremamente pessoais, além de ser mantido por ele em diversas situações, entre as quais a de patrocínio oculto num programa de webtv chamado ‘Sr. Futebol’, que servia aos interesses do cartola em meio às eleições indiretas.

Roberto William, vulgo Libanês, era o especialista em ações de política suja, função que exerceu também com Augusto Melo.
Neste caso com o agravante de ter constituído um banco fajuto para operações que a polícia está investigando.
Relembre:
Solution Bank: novo escândalo circula a presidência do Corinthians –

No último período eleitoral, Stabile e William financiaram um influencer de nome Gildo, em operação de ‘fake-news’ – contra adversários de Augusto Melo – que acabou com a condenação do marginal à prisão:

Eduardo Lopes, que sabujou Osmar antes de beijar as imundas mãos de Augusto, ontem, em meio à votação de impeachment, tornou a cercar o alambrado de Stabile, como deverão fazer os que precisam do Corinthians para sobreviver.
Outro esqueleto no armário do novo presidente é o bicheiro Jaça.
A relação é antiga.
Nas únicas duas vezes em que o contraventor não apoiou o grupo Renovação e Transparência, o fez a pedido de Osmar: nas eleições de Mario Gobbi e Augusto Melo.
Nesse contexto, como realizar a limpeza necessária nas categorias de base do clube?
Lembrando que na transição entre o período Dualib e o início da gestão Sanches, Stabile, apesar de conselheiro vitalício, agenciou o atacante Wilson, que, após sair do clube, gerou prejuízo de R$ 18 milhões.
O passado de Stabile, conforme demonstrado, vai muito além de sua relação com o vídeo de exaltação ao Golpe Militar de 1964, que tomou como seu – e a imprensa embarcou, para proteger o verdadeiro autor: Edgard Soares, vulgo ‘171 do vale do Paraíba’, que também participou da gestão Augusto Melo.
À época, para justificar o suposto financiamento, o novo presidente alvinegro declarou:
“Sou um patriota e entusiasta do contragolpe preventivo (pois é assim que boa parte que os historiadores sem ideologias pré-concebidas enxergam “1964″)”
Desnecessário dizer mais alguma coisa sobre o assunto.
Na última semana, ao Blog do Paulinho, Osmar disse estar arrependido do vídeo e da fala, assim como afastado do convívio com as pessoas citadas na matéria.
O tempo comprovará.
Osmar Stabile terá dois meses para convencer que será capaz de deixar de lado amizade sombrias e o comportamento pretérito complicado em serviço do Corinthians, não servindo-se dele.

