Espanha quer Israel fora da Uefa

Da FOLHA
Por JUCA KFOURI
Se a Rússia está excluída do futebol, por que o genocídio em Gaza não é punido?
Mais claro que o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, impossível: “Se a Rússia foi obrigada a se retirar de competições internacionais (…), Israel também deveria ser. Não podemos permitir dois pesos e duas medidas”.
Na mesma segunda-feira (19), o ex-deputado israelense Moshe Feiglin disse no Canal 14 de Israel: “Toda criança, todo bebê em Gaza é um inimigo. O inimigo não é o Hamas. Temos que conquistar Gaza e colonizá-la. E não deixar uma só criança lá. Não há outra vitória”, falou a besta-fera, líder do partido sionista Zehut.
Não é candidato a Herodes do século 21 porque Bibi Netanyahu já faz o papel ao igualar o terror nazista na matança de crianças durante a Segunda Guerra, lembrança oportuna nestes dias em que se recorda a inauguração do inferno de Auschwitz, 85 anos atrás, quando, no 20 de maio de 1940, os primeiros prisioneiros judeus chegaram ao campo de concentração.
Serão a dor e a indignação com a morte de 1.200 pessoas pelos terroristas do Hamas no dia 7 de outubro de 2023 maiores que a dor e a indignação com a morte de crianças e mulheres e civis na Palestina?
Até quando o mundo civilizado resumirá seu horror às notas de protestos e atos diplomáticos?
Daí a importância da atitude de Sánchez ao propor que o futebol israelense seja banido dos torneios europeus enquanto não cessar o genocídio na Palestina.
