Detalhes desagradáveis cercam proposta de refinanciamento de dívidas do Corinthians

Seguindo os trâmites para formalização do RCE (Regime de Centralização de Execuções), o Corinthians, além da proposta de pagamento (discriminando percentuais de receita a serem comprometidos), assinou, através do presidente Augusto Melo, obrigatório “Termo de Compromisso de Controle Orçamentário”.
“SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA, associação sem fins econômicos (…) estabelece o presente compromisso de controle orçamentário, nos termos do art. 16, V da Lei 14.193/2021, comprometendo-se em controlar seu orçamento de modo a assegurar o cumprimento dos termos do Plano de Pagamento (…)”
Trata-se de realizar exatamente o contrário do que a gestão alvinegra fez até agora.
Augusto Melo ampliou a dívida do clube, no período de apenas um ano, em mais de R$ 400 milhões, amparado em doping financeiro no futebol profissional, pagamento de comissões indevidas (ex: Vai de Bet), além de forte esquema nas categorias de base (acima de 60 contratações) e nos negócios da Arena de Itaquera.
Se não cumprir o que assinou, o que parece mais provável, a RCE, assim como ocorreu com a Portuguesa, será descontinuada.
Dentre os dados fornecidos pelo Corinthians à Justiça, salta aos olhos a observação de que o clube deve R$ 926 milhões entre pendências cíveis e trabalhistas, mas que apenas R$ 367 milhões deste montante foram listados na Centralização de Execuções.
Ou seja, R$ 559 milhões podem ser cobrados à vista, com possibilidade de continuidade de penhoras, bloqueios, etc.
Augusto Melo precisa explicar o critério desta escolha.
Ao que parece, credores próximos à gestão, como o agente Igor Carvalho Zveibrucker – que está entre os que não terão que esperar dez anos para receber suas pendências – estão sendo beneficiados.
Existe ainda, aguardando julgamento, a acusação de fraude a execução formalizada pelo intermediário André Cury, que acusa o Corinthians de enganar os credores ao esconder dinheiro penhorável em conta que deveria ser utilizada apenas para pagamento do estádio de Itaquera.
O MP-SP posicionou-se favorável à abertura de inquérito.
Caberá ao juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, decidir, nos próximos dias, tantos o pleito de homologação da RCE do Corinthians quanto se as acusações de Cury possuem indícios suficientes para que uma investigação seja iniciada.



