Israel comete genocídio em Gaza

Da FOLHA

Por THIAGO AMPARO

Resta saber se a classificação implicará alguma responsabilidade ao Estado israelense e a seus líderes

No Dia Internacional dos Direitos Humanos (10), é oportuno reafirmar que o Ocidente assiste à Israel cometer impunemente genocídio na Faixa de Gaza. Mesmo após mais de um ano desde o condenável crime de guerra e de terror cometido pelo Hamas com a violência e o sequestro de civis em Israel, e mesmo após mais de 40 mil palestinos mortos, a barbárie vã continua, dificultando o retorno dos reféns.

No vocabulário diplomático, a palavra “genocídio” foi reavivada após a publicação, na última quinta (5), de relatório da Anistia Internacional. A organização de direitos humanos, com base em nove meses de investigação e mais de 200 entrevistas descritas nas quase 300 páginas do documento disponível online, acusa Israel de adotar medidas para destruir em todo ou em parte o grupo palestino, enquadrando-se nos atos que compõem a definição legal de genocídio.

Parte da resistência em qualificar as ações de Israel como genocídio decorre de uma mente colonial segundo a qual a barbárie seria privilégio de ditaduras terceiro-mundistas e vidas palestinas importariam nada; da perspectiva legal, no entanto, aplicar o termo ao caso de Gaza nem sequer é tão controverso. A Corte Internacional de Justiça já viu risco de genocídio, e a relatora da ONU Francesca Albanese e o Subcomitê das Nações Unidas já emitiram alertas a respeito.

Nunca um genocídio deixa o rastro de um papel oficial revelando a intenção de executá-lo; genocídio é provado por meio de discursos e práticas recorrentes que revelem a sujeição de um grupo a sua destruição física. No caso de Gaza, tantos os discursos quanto as práticas revelam esse intuito: o relatório da Anistia lista inúmeros atos deliberados de Israel que indicam intenção genocida, como uso de armas de amplo impacto, detenção e tortura, restrição ou impedimento à ajuda humanitária, imposição de fome, discursos racistas etc.

Resta saber se a alcunha de genocídio levará à alguma responsabilidade do Estado israelense e de seus líderes e, ao fim e ao cabo, se sobrará em Gaza quem conte a história de como deixamos que tudo isso ocorresse bem na frente das nossas telas.

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