Flamengo troca o péssimo pelo incerto

Ontem, a gestão Rodolfo Landim, marcada pela participação em duas tragédias: o incêndio do Ninho do Urubu e o apoio ao bolsonarismo, recebeu a justa reprovação popular nas eleições do Flamengo.
Nem o breve sucesso com o time montado por Jorge Jesus, que revelou-se fortuito após os fracassos e lambanças subsequentes, serviu para esconder a lamentável administração, até então, em vigor.
O departamento de futebol transformou-se numa espécie de feira livre de Marcos Braz.
Muita gente ganhou dinheiro.
Institucionalmente, o Flamengo jamais se recuperará da fama de ter sido utilizado para ocultar e estimular as barbaridades cometidas por Jair Bolsonaro, com direito ao presidente e sua esposa postando, no dias das eleições, fotografia ao lado do déspota.
A isso soma-se o profundo desprezo no trato com os familiares dos garotos mortos em conteiners do clube.
Que era necessário livrar o Flamengo de gente tão lamentável não havia dúvidas, porém, o que vem por aí, não é tão promissor assim.
Provavelmente, diante de sarrafo tão baixo, menos ruim, embora seja melhor aguardar para avaliações mais profundas.
BAP, que venceu Dunshee (candidato de landim) por 1.748 votos contra 1.165 (Maurício Gomes de Mattos teve 363 e ainda foram contados doze votos nulos ou em branco) tem histórico de traições políticas.
Largou Bandeira de Melo para se juntar a Landim e tornou a atraiçoar quando se lançou contra a candidatura de situação.
No recente período de poder ‘abençoou’ o apoio a Bolsonaro, o que revela bastante sua personalidade.
Se BAP, que participou de erros da gestão anterior, terá capacidade para gerir orçamento tão gigante, impactado pelas despesas provenientes da construção do estádio, sem prejudicar o desempenho esportivo, é uma incógnita.
Não há dúvida, porém, que falta-lhe empatia com as classes mais populares, ou seja, a maior parte da torcida do Flamengo.
