Corinthians vendeu Wesley em crediário anual de três parcelas

Na última semana, o UOL revelou que 10% dos valores da venda de Wesley ao Al Nassr foram prometidos como pagamento de comissão ao intermediário.
Os dados foram obtidos na documentação enviada pelo administrador designado pela Justiça para garantir o pagamento da dívida do clube com o empresário André Cury.
No documento, porém, não consta o nome do beneficiado.
Ocultado pelo Corinthians, evidentemente.
O Blog do Paulinho, que também teve acesso aos dados da transação, aprofundou-se noutros detalhes.
A venda de Wesley foi formalizada em US$ 20 milhões (R$ 112,2 milhões), divididos, porém, em três pagamentos.
Detalhe: anuais, não mensais.
O Corinthians receberá:
- US$ 8 milhões (R$ 44,8 milhões) em 30 de setembro de 2024;
- US$ 6 milhões (R$ 33,6 milhões) em 30 de setembro de 2025;
- US$ 6 milhões (R$ 33,6 milhões) em 30 de setembro de 2026

Por que a primeira parcela é mais alta?
Elementar.
Para acolher, à vista, o pagamento de comissão (R$ 11,2 milhões), apesar do clube receber a quantia a prazo.
Diante da atual situação processual alvinegra, em 2024, nada deste dinheiro sobrará nos caixas do Corinthians.
Além dos R$ 11,2 milhões para intermediário, R$ 33,6 milhões pertencem a Wesley (30%) e R$ 15 milhões pagarão a pendência com André Cury.
R$ 15 milhões além do valor da parcela (prejuízo a ser subtraído do segundo pagamento).
Em síntese: dos R$ 112,2 milhões da venda de Wesley, somente R$ 52,2 milhões permanecerão, se não houver outros bloqueios, nos caixas do Corinthians.
Sendo Zero em 2024, R$ 18,6 milhões em 2025 e R$ 33,6 milhões em 2026.
Augusto Melo vendeu à prazo, para receber em três anos, com desconto de R$ 510 milhões (a multa contratual era de R$ 620 milhões), uma promessa que ainda poderia ser útil para o Timão.
Excelente negócio para os intermediários e seus cartolas apadrinhados, entre os quais Marcos Boccatto, presidente de honra do Água Santa, que possui ótimo trânsito, justamente, na Arábia Saudita.
A ‘Comissão de Futebol’, formada por Romeu Tuma Junior para investigar contratos do departamento, mais preocupada em defender o presidente do impeachment, é conivente por omissão.

O que é inadmissível: Não tanto a venda, com a condicionante que a todo momento é preciso fazer caixa. Na verdade o que pega e causa estranheza é o prazo contratual quando contrata para integrar o elenco, “pé de rato” que vai receber dois, três, quatro anos, sem produzir algo que agregue valor.