Morte de Izquierdo é alerta para prevenção

Desoladora sob todos os aspectos, a morte do jovem jogador uruguaio Juan Izquierdo, vítima de alteração coronária em meio à partida entre São Paulo e Nacional, no estádio do Morumbi, não tem culpados no Brasil.

O atleta, ainda dentro do gramado, foi prontamente atendido pelos médicos das duas equipes, levado com rapidez à ambulância, que o internou num dos mais renomados hospitais do planeta.

Porém, neste interim, uma parada cardíaca, reanimada, acabou por comprometer a função cerebral levando o paciente, posteriormente, a óbito.

De quem seria a culpa?

É necessário investigar.

Izquierdo, aos 17 anos, foi diagnosticado com problemas de coração, à época tratado como leves, que não impediriam a sequência na profissão de atleta.

Houve acompanhamento deste quadro ao longo dos anos?

Há fundamental diferença na avaliação de um pós-adolescente que ainda não atuava no nível de comprometimento físico profissional com realidade vivida pelo corpo de Izquierdo, aos 27 anos, após anos de prática à beira da exaustão.

Mais do que apontar culpados, a morte do jovem uruguaio deve servir de alerta para soluções que possam evitar tragédia semelhante no futuro.

Diferentemente dos cidadãos que, quando precavidos, realizam checkups a cada seis meses, quando muito, anualmente, atletas de grande rendimento necessitam que estes procedimentos sejam administrados com frequência muito menor.

Mensalmente, talvez.

Ao menor sinal de alteração, ainda que contra a vontade do jogador, o clube deveria se comprometer, mesmo que com perda financeira, a informar Federações, Confederações e demais autoridades esportivas de que, amparado em avaliações médicas, orienta pela encerramento da carreira de seu atleta.

É doloroso para o bolso, para o esporte e aos sonhos destes jovens, mas não mais do que agora, com a morte prematura de quem, em ambiente de normalidade física, poderia ainda estar entre nós.

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