Fantástico, o vice do Corinthians e Romeu Tuma Junior

A ‘bomba’ anunciada pelo Fantástico, da Rede Globo, que apontava o Corinthians como tema principal em matéria sobre lavagem de dinheiro se mostrou um compilado de tudo o que já se sabia anteriormente, com agravante: o repórter mentiu ao dizer que era a primeira vez que a ‘laranja’ Edna seria ouvida pela imprensa.

A primeira manifestação da mulher ocorreu, há semanas, em reportagem do UOL.

O nome de Edna surgiu, antes disso, no Blog do Juca Kfouri.

É possível medir o nível do jornalismo na briga exposta com o advogado da ‘laranja’ para que imagens do interior de sua modesta residência fossem tornadas públicas – como se a fachada não fosse suficiente para estabelecer a pobreza.

De novidade apenas a suspeita da Polícia de que Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, seria o contratante da detetive particular que tentou obter informações sobre os caminhos do dinheiro pago pela agremiação a um ex-funcionário de campanha do Presidente Augusto Melo.

É este tema que passamos a analisar.

Antes da matéria do Fantástico, sabedores do que seria exibido – o clube foi procurado, previamente, pela reportagem -, Augusto Melo e Romeu Tuma Junior, que amancebaram-se, por alinhamento político e ético, no poder alvinegro, combinaram a versão da exposição do suposto ‘traidor’.

Melo discursou, aos berros, sobre o tema aos Gaviões da Fiel.

Tuma Junior publicou, ontem, no twitter, imagem do personagem ‘Agente 86’, que é um detetive atrapalhado de seriado americano dos anos 80, com os dizeres:

“Meu Deus… e não é que eles se meteram nisso para prejudicar o Corinthians… bem que suspeitei que tinha santo do pau oco… Aguardemos”

Fora do contexto da mitomania, ainda que se comprove que Armando Mendonça tenha contratado detetive para investigar ações da própria diretoria – o que não é crime, trata-se de comportamento que, em hipótese alguma, pode ser comparado com a gravidade de roubar dinheiro do clube, que é pano de fundo da investigação policial, e também do MP-SP, sobre a Vai de Bet.

Quando os investigadores afirmam que o Corinthians é tratado como vítima, não estão incluídos, nesse contexto, como querem fazer crer os espertalhões, os seus gestores, partícipes diretos do repasse de dinheiro sob suspeita.

Armando errou?

Sim, quando aceitou ser vice-presidente de notório mitômano, envolvido em negociações de jogadores, em movimentações comerciais com marginais, e, à época, condenado a prisão por sonegação de impostos – nada disso escondido pois relevado, com farta documentação comprobatória, pelo Blog do Paulinho.

O sonho por vias tortas quase sempre resulta em decepção.

Talvez tenha errado por não procurar a polícia antes dos detetives – se comprovada a contratação, e por manter-se vice-presidente de uma gestão que, desde sempre, esteve envolvida em negociações nebulosas.

A renúncia, seguida das explicações para o ato, além de posicionamento, firme, contrário ao atual estado das coisas, seria simbólica para esclarecimento dos corinthianos

Em momento algum, porém, Armando colocou dinheiro do clube no bolso.

Diferentemente do que diz Tuma Junior, os santos do pau-oco, que, verdadeiramente ‘se meteram nisso’ para prejudicar o Corinthians, são os ‘artistas’ defendidos pela Presidência do Conselho.

Em passado recente, amparado por muito menos evidências, o ex-delegado moveu montanhas contra a MSI, mentiu em livro sobre o Governo e distorceu fatos no inquérito da morte de Celso Daniel (detalhes no documentário sobre o tema, disponível na Globoplay).

Tuma violou o estatuto do Corinthians ao não convocar reunião que poderia resultar em pedido de impeachment de Augusto Melo – comportamento passível de ação judicial -, e segue de olhos fechados para fatos inequívocos, que independem de resultado judicial.

São eles:

  • Augusto Melo inseriu no contrato da Vai de Bet um funcionário de campanha para receber R$ 25 milhões em comissionamentos, apesar deles NUNCA ter sentado na mesa de reuniões;
  • O diretor administrativo Marcelo Mariano, o Marcelinho, sob ordens do presidente – a permanência no cargo comprova isso -, às costas do Diretor Financeiro, deixou de pagar todas as contas pendentes do clube – e não eram poucas, para repassar valores graúdos a Alex Cassundé, reconhecidamente especialista em lavagem de dinheiro;
  • A inexistência de qualquer comprovação de comunicação (whatsapp, email, etc.) entre o suposto intermediário e diretores da Vai de Bet

Após a matéria do Fantástico, Armando Mendonça enviou nota à Globo, que foi lida ainda durante o programa:

“Armando (Mendonça) disse que aguarda a apuração da autoridade policial competente para saber o caminho do dinheiro que saiu do Corinthians e completou: “é esse o desejo da sociedade e, principalmente, dos corinthianos”

Não confirmou ou negou a contratação de investigadores particulares.

Fez bem.

Mais do que identificar quem, a seus modos, tentou descobrir o rastro da corrupção em Parque São Jorge, o objetivo principal é saber quem, do Corinthians, pode ter se beneficiado do laranjal de Alex Cassundé.

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1 Comentário

  1. Essa reportagem, que seria bombástica, lembrou-me da frase “a montanha pariu um rato”. No mais, aguarde-se o resultado das investigações policiais, é temerário acusar pessoas neste momento.

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