A verdade sobre a participação de cartolas do Corinthians na venda de Lucas Veríssimo

Rubão e Augusto Melo

Ontem, o Corinthians anunciou que o Benfica vendeu o zagueiro Lucas Veríssimo ao futebol do Catar por 9 milhões de Euros.

A versão que circula é a de que os ‘inocentes’ cartolas do clube foram traídos no negócio.

Não é verdade, aliás, muito pelo contrário.

Vamos aos fatos – confirmados pelo blog com fonte ligada ao clube português.

Na virada do ano, Rubão, diretor de futebol do Corinthians, conversou com a diretoria do Benfica e confirmou que o clube, ao final do empréstimo (julho de 2024), exerceria a preferência de compra acertada, previamente, ainda na gestão Duílio ‘do Bingo.

8 milhões de Euros, dos 9 milhões precificados, porque seria descontado 1 milhão pago pelo clube durante o período de empréstimo.

A contratação, portanto, apesar de alinhavada, não foi sacramentada.

Dia 01, em entrevista à rádio Guaíba, quando questionado sobre assuntos de mercado, Rubão respondeu:

“Eu liguei para o Benfica, porque me falaram que estava na negociação, como tinha acabado de negociar o Veríssimo e tinha um bom contato com o Rui (Costa, presidente do Benfica)”

O bom relacionamento do cartola com o Benfica se dá, mais do que com o Presidente, pela amizade com o agente de jogadores Jorge Mendes, que manda nos negócios da equipe.

No dia seguinte (02), o da posse, Augusto Melo, em entrevista coletiva, declarou:

“(Lucas Veríssimo) Foi a primeira grande contratação nossa, primeiro trabalho árduo nosso. Lucas Veríssimo se encaixou como uma luva, é um excelente zagueiro”

“Ele estava lá, tinha histórico de lesão. Por que quando foi buscar o atleta, não veio com passe estipulado? Se tivesse feito isso quando contratou, ele sairia metade do preço que pagamos. Fomos obrigados a aceitar o preço que querem, porque o Corinthians tem a necessidade dele também. Se tiram o Veríssimo da gente, imaginem o que falariam?”

Era mentira.

Não existia a contratação, muito menos o pagamento que ele disse ter executado.

Pouco após, no dia 03, Rubão foi avisado, pela diretoria do Benfica e pelo empresário do jogador, que Lucas Veríssimo estava negociando com um clube do Catar.

O Corinthians manteve as aparências e inscreveu o atleta no Paulistinha – através do contrato de empréstimo vigente.

Se o negócio não fosse concretizado, seguiria como ‘vitrine’, ao menos, até a metade de 2024 – quando, na ausência doutros interessados, poderia comprar o jogador.

No dia 12, às pressas, quando informado que a negociação do Catar era dada como certa, Rubão contratou o substituto: Gustavo Henrique, reserva do Valladolid da 2ª divisão espanhola.

A ‘desculpa’ foi a de ‘oportunidade de mercado’.

Após, conforme esperado, Lucas Veríssimo foi vendido ao Catar.

O comportamento da diretoria alvinegra é explicitado na Nota Oficial, publicada ontem, em que o clube, em vez de demonstrar a indignação de traído – conforme prega a narrativa colocada, praticamente defende o jogador, sem citar o empresário, com quem não pretende se indispor:

“Nas últimas horas, o zagueiro Lucas Veríssimo, que pertence ao Benfica, de Portugal, e estava emprestado ao Corinthians, comunicou à diretoria de futebol que recebeu e aceitou uma proposta do Catar”

“O clube lamenta, mas RESPEITA A DECISÃO do atleta”

“Vale ressaltar que havia um contrato para a sua permanência definitiva pronto para assinatura do jogador e seu staff desde o dia 4 de janeiro. Porém, com a nova proposta, ele optou por seguir sua carreira no país asiático”

Tratar a colaboração (premiada?) da diretoria do Corinthians, a prejuízo do clube, como simples incompetência de cartolas ‘inocentes’, além de mentira, seria subestimar as relações comerciais que o próprio Rubão declarou manter com o presidente do Benfica.

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