Os 20% de Gabriel Moscardo

O Corinthians antecipou a renovação de contrato do jovem Gabriel Moscardo (17), que, em vez dos R$ 5 mil mensais atuais, passará a embolsar R$ 345 mil mensais.
A discussão, porém, não é o acréscimo salarial, apesar de bem expressivo.
Na mesma transação, o clube, que detinha 100% dos direitos do jogador, cedeu 20%, ficando agora apenas com 80%.
O novo valor da multa contratual de Moscardo, tomando como base os índices normalmente aplicados, seria de R$ 465 milhões.
Em tese, o repasse de 20% ao atleta, que, em regra, serve para remunerar agentes e cartolas, custou aos cofres do Corinthians a bagatela de R$ 93 milhões.
Diluído em três anos de contrato, tomando como referência 39 pagamentos (doze meses mais o 13º), chegaremos a quase R$ 2,4 milhões mensais.
Ou seja, o custo de Moscardo para o Timão, levando-se em consideração vencimentos salariais e cessão de direitos aproximar-se-ia de R$ 3 milhões mensais.
Foi um ótimo negócio… para os empresários.
Evidentemente, esta conta é baseada na possibilidade dos cartolas honrarem o valor da multa, embora, no caso do Timão, raramente ocorra.
Neste caso, bastaria adequar, proporcionalmente, o cálculo.
Será que Moscardo se recusaria a assinar o contrato com o aumento salarial estipulado, sem o repasse dos 20%?
É pouco provável.
A empresa que agencia Moscardo é umbilicalmente ligada aos dirigentes do Corinthians.
Trata-se da Sportsmaxi.
Seus proprietários são Rodolfo Ximenes, irmão do ex-diretor de futebol Ronaldo Ximenes (gestão Mario Gobbi), em sociedade com João Paulo Fernando Marangon, irmão do ex-goleiro Doni, que jogou no Timão, e Fábio Simplício ex-São Paulo.

Além de Moscardo, eles mantém no Corinthians os seguintes jogadores: Molina, Lucas Ramos, Vitinho, Teixeirão, Lorenzo, Guilherme Bom, Guilherme Alves e Felipe Longo.
