Com racismo não tem jogo

Da FOLHA
Por JUCA KFOURI
Agora é oficial: a CBF autoriza os jogadores a parar partidas com ofensas raciais
A campanha lançada pela CBF em vídeo com Gilberto Gil, Chico Buarque de Hollanda, Antonio e Camila Pitanga, Carolina Dieckmann, Vladimir Brictha, Teresa Cristina, Renata Sorrah, Regina Casé, Adriana Esteves, Douglas Silva, Murilo Benício, entre outras personalidades da vida brasileira, tem a novidade de trazer, explicitamente, a autorização oficial da entidade que comanda o futebol no país para que os jogadores parem os jogos em que houver ofensas racistas.
Com racismo não tem jogo, diz o mote da campanha.
Não é pouca coisa e é mais um legado da coragem de Vinicius Junior em enfrentar a barbárie.
Porque, como já dito e repetido, é preciso ir além dos gestos, dos manifestos e dos protestos.
Já passou da hora de haver ações concretas, de interromper o espetáculo, de deixar de dançar para fascista bater palmas.
Vamos concordar que, se quando torcedores invadiram o centro de treinamento do Corinthians, em 2014, os quase agredidos jogadores alvinegros tivessem feito o que o então zagueiro Paulo André propôs, não entrar em campo para enfrentar a Ponte Preta, as coisas teriam mudado.
O Corinthians teria perdido os pontos por W.O., e os agressores seriam responsabilizados pela Fiel por tamanho prejuízo e nunca mais agiriam como agiram.
Pois bem. Agora os jogadores têm a autorização de quem dirige os campeonatos brasileiros, da entidade presidida por um preto, o baiano Ednaldo Rodrigues, que conhece a dor e dá todas as indicações de não querer brincar com assunto tão vital, muito além do futebol, mas que entende ser o esporte excelente meio de conscientização.
E tem mais: diferentemente da respeitável opinião do companheiro Martín Fernandez, repórter de primeira e brilhante colunista de O Globo, faz bem a CBF em manter o amistoso da seleção contra Guiné, no próximo dia 17, em Barcelona.
Fernandez argumenta que o jogo, se no Maracanã, serviria para a torcida acolher o craque como merece.
Faz sentido, sem dúvida, mas a manutenção da partida, em terreno eventualmente hostil, servirá para mostrar coragem de enfrentar a questão de peito aberto e dará oportunidade à Catalunha de honrar sua tradição de luta antifascista.
A Espanha não tem o monopólio do racismo. Trata-se de doença mundial e, desgraçadamente, muito nossa.
Não nos esqueçamos de que, recentemente, tivemos um presidente da República que pesava os quilombolas em arrobas e por isso acabou condenado a pagar 50 mil reais ao Fundo Federal de Direitos Difusos.
Até hoje o fascistoide tem adeptos pelo país afora e pelos estádios adentro.

Ednaldo mascara a corrupção atacando o racismo. Não esperem dele sinceridade. Da mesma forma que processou uma jornalista e mulher por opinião – logo ele que se vende como respeitador de mulheres. CBF está vendida aos acordos. Ricardo Teixeira e Marco Polo se uniram. E as jovens promessas de dirigentes são novatos corruptos interessados apenas em negócios, pois óbvio, só podem crescer beijando a mão de seus mestres. Acorda CPI.