Kajuru, Gilmar Mendes e a pobre Dona Zezé

No recente dia 18, o Blog do Paulinho, diante da possibilidade do senador Jorge Kajuru responder a ação criminal por acusar o Ministro Gilmar Mendes de vender sentenças no STF, disse que o parlamentar trocaria a possibilidade de prisão pela vergonha da retratação.
O texto, que tratou também sobre Sérgio Moro, pode ser conferido logo abaixo:
Moro e Kajuru, indiciados por calúnia, podem trocar ações penais pela ‘vergonha’
Exatamente uma semana após, Kajuru, em documento enviado ao magistrado, se ajoelhou:
“Peço-lhe desculpas sinceras, em nome da minha falecida mãe, dona Zezé, e de Deus”
“Reconheço que exagerei e passei da primeira página quando fiz duras e indevidas críticas ao vosso comportamento durante a trajetória como ministro do STF”
“Eu não tenho compromisso com o erro. Quando eu erro, eu volto atrás”
“Permita-me explicar: Um dia depois do primeiro turno na eleição de 2018, em Goiás, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) foi preso por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e superfaturamento. No dia seguinte, vossa excelência concedeu liminar para a soltura de um ser que tentou, por todos os meios —o que não é de conhecimento de vossa excelência— acabar com a minha vida”
Kajuru disse ainda que quando falou sobre Gilmar Mendes fazia duas sessões de psicanálises semanais.
Este é o padrão do Senador.
Para escapar dos problemas, evoca a Deus, a coitada da Dona Zezé e cita uma doença qualquer, muitas vezes sem que consiga comprová-la.
Há, porém, um problema nesta mensagem de Kajuru.
Por Lei, a retratação tem que ser cabal, ou seja, no contexto das acusações, o Senador teria que dizer que ‘inventou’, ‘não pode comprovar o que supôs’ ou ‘mentiu’, comportamentos que superam a admissão de simples ‘erro’.
Gilmar poderá, por benevolência, dar o feito como encerrado, mas há margem, se quiser, para não fazê-lo.
Deste episódio, independentemente do desfecho jurídico, destaca-se a verdadeira essência de Kajuru, que, há algumas semanas, teve que se retratar, também, à Luciana Gimenez, a quem perseguiu, com mentiras, por décadas e, recentemente, diferentemente da indignação descrita ao Ministro, teve coragem de estender as mãos a Perillo, a quem acusou de estuprar sua esposa.

