Fundo sediado em paraíso fiscal assume controle das finanças de estádio do Corinthians

Na última terça-feira, a BRL TRUST, administradora do Arena Fundo FII, gestor do estádio de Itaquera, comunicou ao Mercado que o Banco Central concordou com a sua absorção pelo “‘Apex Fund Holding Ltda’, filial brasileira, com escritório em São Paulo, de Fundo de Investimentos sediado no paraíso fiscal das Bermudas.
Recursos do Corinthians, portanto, serão gerenciados pela empresa.

Os bastidores da operação, iniciada em 2021, repercutidos à época pelo Blog do Paulinho, são suspeitos.

A Apex foi constituída, oficialmente, no dia 09 de julho de 2020, ou seja, menos de um ano antes do início das tratativas, com o nome ‘SF 221 Participações Societárias Ltda’, tendo como sócios os advogados Lawrence Santini Echenique e Luis Guilherme de Souza Silva, com ínfimo Capital Social de R$ 100.
Os dois, além de um terceiro sócio (que não foi inserido nesta empresa), são parceiros do escritório Machado Meyer, que, desde antes da inauguração do estádio de Itaquera, presta serviço de consultoria ao Arena Fundo.
O trio é dono da ‘ASAP Documentos’, que, coincidentemente, apresenta três parceiros do Corinthians na carteira de clientes.
São eles: Machado Meyer, Odebrecht e Hypermarcas (agora Hypera Pharma), todos com negócios ativos no estádio alvinegro.


Para finalizar a operação ‘triangulada’, apenas quatro meses após a abertura, no dia 13 de novembro de 2020, a ‘SF 221’ foi transformada em ‘Apex Fund’, com os donos da ‘ASAP’ saindo do contrato.
Não houve elevação do Capital Social, mantido em R$ 100.

É apontado como dono de 100% desta nova empresa o fundo ‘Apex Fund and Corporate Services Canadá Inc.’, sediado no Canadá, que apresenta como procurador e administrador, respectivamente, os contadores Thyago de Freitas Barreto e Tiago Rafael Raimondi, ambos sócios em diversas empresas, entre as quais a ‘Mandat’, espécie de assessoria administrativa.
A filial canadense, como as demais, respondem à matriz, no paraíso de Bermudas.
Barreto, tempos atrás, prestou serviços para a BDO/RCS, de propriedade do ex-diretor de finanças do Corinthians, Raul Corrêa da Silva, o cartola que assinou quase todos os contratos do Corinthians com a Odebrecht – mais do que todos os ex-presidentes do Timão.
Os proprietários do Fundo canadense, criado em 2019 como ‘Canadá Inc’, meses depois alterado para a nova nomenclatura, são o americano Georges Archibald e o indiano Raja Krishnan, ambos com residência declarada em Toronto/CA.




A Apex possui dezenas de filiais, muitas delas em conhecidos paraísos fiscais do planeta, entre os quais Delaware/EUA, Uruguai, Ilhas Cayman, etc.

Recentemente, o Blog do Paulinho revelou que cartolas do Corinthians, entre os quais o atual presidente, mantém, ou mantinham, contas em empresas sediadas no exterior, desde o Panamá até Delaware/EUA, local em que parceiros comerciais do clube, alguns obscuros, possuem escritórios, como a ‘Apollo Sports’, ‘Timão Coin’ e a ‘Go Sports’.
Estes negócios foram firmados, à época, pelo Superintendente de Marketing Gustavo Herbetta – que agora cuida da campanha de Augusto Melo à presidência do clube, na gestão Roberto Andrade.
Nenhum conselheiro do clube, apesar da recente realização de reunião, foi consultado ou avisado sobre a mudança de gestor da Arena de Itaquera.
Procurada, a Apex negou-se a comentar ‘negócios particulares’.
Não obtivemos resposta dos demais envolvidos, nem do Corinthians, que recusa-se não apenas a falar com o Blog do Paulinho, mas também, como reza a cartilha da ‘democracia’, a permitir nosso acesso a qualquer evento ou entrevista do clube.
