Inveja, esquema da base e desespero do Presidente racham grupo de situação do Corinthians

Há mais de uma década, André Negão, que, em breve, oficializará candidatura à presidência do Corinthians, tem aberto mão desta postulação em atendimento a pedidos de Andres Sanches.
A desculpa era a de acolher composições políticas que garantissem a vitória do grupo ‘Renovação e Transparência’, há 16 anos no poder.
De lá para cá, Sanches ocupou um mandato tampão, para depois ser eleito, em 2007.
Depois, os demais furaram a fila prometida a Negão: Mario Gobbi, Roberto Andrade, Andres Sanches (novamente) e Duílio ‘do Bingo’.
Em todas as protelações, o contraventor Jaça, que domina as categorias de base do Corinthians, foi decisivo para que André Negão fosse preterido.
As razões são amplamente conhecidas em Parque São Jorge.
Originam, primeiramente, de um desacordo em sociedade de jogatina que teria resultado na tentativa de assassinato sofrida por Negão, que sobreviveu a sete tiros disparados a queima-roupa.
Muita gente do clube acredita que Jaça seria a ‘inspiração’ do atentado.
André nunca descobriu a verdade, mas é pouco provável que não trate a versão como possibilidade.
No convívio do Corinthians, em que se relacionam sob estremecimento pessoal, a notoriedade conquistada por André Negão, detentor de cargos, oficiais, importantes – entre os quais uma vice-presidência, além da chefia de gabinete parlamentar do então deputado federal Andres Sanches, contrasta com o ostracismo público de Jaça, que não pode aparecer sem que sua imagem ocasione constrangimento a qualquer das diretorias.
O contraventor tem poder, ganha dinheiro, mas é relegado ao anonimato.
Além do desejo de manter o domínio sobre as lucrativas categorias de base, há o fortíssimo sentimento de inveja, do ego ferido, tão nítidos em Jaça quando as tramoias realizadas nos bastidores alvinegros.
Ciente dos fatos, Negão, no reservado, tem ironizado o adversário: “Eu tenho rejeição? Mande ele aparecer, se candidatar… daí veremos a verdadeira rejeição’.
Sempre às sombras, Jaça estaria utilizando jornalistas de sua caderneta, além de ex-atletas que sustenta, para propagar boatos e ‘fake-news’; nesse contexto surgiu a ‘candidatura’ de Ronaldo Giovanelli.
O objetivo é tumultuar o processo de escolha e adesão à candidatura de André.
Além da inveja pela notoriedade do ex-sócio, e dos esquemas da base, outro fator que afronta a unidade do grupo ‘Renovação e Transparência’ é o desespero da família Monteiro Alves, enroladíssima na Justiça, com dívidas fiscais, cíveis e trabalhistas aproximadas de meio bilhão de reais – boa parte delas de calotes oriundos do ‘Bingo Circus’, geradoras de contas e bens bloqueados, há mais de uma década.
É quase certo que, se não no início, no segundo ano de mandato do próximo presidente, em confirmada a nova Liga de Clubes, o Corinthians embolsará estimados R$ 500 milhões.
À vista.
Dinheiro para cartola nenhum deixar de lado.
Por conta disso, negociações nada republicanas entre os Monteiro Alves e alguns conselheiros – entre os quais o presidente do órgão, que, recentemente, assumiu-se como comprador de sentença de juiz – tentam viabilizar um golpe que garantiria a reeleição, à margem do Estatuto, de Duílio.
Neste caso, o ex-opositor e atual diretor jurídico, Herói Vicente, seria um dos componentes da chapa, com a outra vaga sendo negociada pela melhor oferta.
Não há, nessa composição, vaga para André Negão, que seria obrigado a seguir candidato sem apoio do grupo de situação.
Neste ambiente de traições e incertezas, movimentações diversas ocorrem em Parque São Jorge.
Do outro lado, amparado pelo baixo clero abandonado por Andres Sanches, Augusto Melo surge em campanha como candidato da oposição, mas com forte rejeição entre os demais oposicionistas, por não saber explicar a origem dos recursos de sua campanha.
Rumores dão conta de financiamento de intermediários da bola, além de gente investigada em rolos envolvendo postos de combustíveis.
Nem mesmo a renda de Augusto é clara.
Suas declarações de Imposto o colocam como isento, tendo recebido menos de um salário mínimo mensal ao longo, ao menos, dos últimos quatro anos.
