Cobrado por CAIXA e CVM, Fundo de estádio do Corinthians apresenta contas nebulosas

Com CNPJ inscrito desde 2021, mas, oficialmente, em operação a partir de julho de 2022, o FIP SCCP, novo gestor das contas do estádio de Itaquera, enfim, apresentou relatório financeiro.
Precisou a cobrança da CAIXA e da CVM, que deram prazo até o final do mês para a demonstração.
O documento, com pouquíssimas informações, sem o mínimo de detalhamento razoável, é verdadeira afronta não apenas aos órgãos reguladores, como também aos conselheiros, torcedores e associados do Corinthians.
Sequer foi postado, como padrão na CVM, em arquivo PDF., dificultando que seja manejado fora do sistema.
O apanhado ignora, por exemplo, a dívida com o Arena Fundo FII, próxima dos R$ 60 milhões, assim como o dinheiro disponível, segundo o último Informe Financeiro da BRL Trust.
Segundo o micro-relatório, o FIP SCCP possui 27.846 cotas no valor de R$ 30 mil cada, totalizando R$ 835.380.000,00 (que deve ser o valor atribuído ao estádio).
Em caixa, porém, é discriminada a irrisória quantia de R$ 1,3 milhão.
Destes, R$ 1,2 milhão é tratado como patrimônio líquido (disponível).
R$ 100 mil são abatidos como ‘valores a pagar’, sem que se saiba para qual credor.
R$ 6,4 mil estariam à mão para eventualidades.

O ‘líquido’, R$ 1,2 milhão, está aplicado, estranhamente, noutro Fundo: “Money Market Fundo de Investimento’, que possui filiais no Brasil e também em Portugal, e é administrado, também, pela REAG, empresa de João Carlos Mansur, complicado conselheiro do Palmeiras (acusado de embolsar dinheiro indevido do clube).
É listado, também, como gestor do ‘Money’, a ‘IDL Trust’, que nada mais é do que outra empresa do grupo REAG.

Nada disso é de conhecimento do Conselho Deliberativo do Corinthians, que, assim como ocorre, há anos, desde as contas do Fundo anterior, o Arena FII, socorre-se do Blog do Paulinho para ter acesso às informações.
