Por que o Corinthians não retomou, da BRL TRUST, os direitos sobre o terreno do estádio de Itaquera?

Desde julho, após a criação do FIP SCCP (Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia SCCP) – novo gestor da Arena de Itaquera, o Corinthians, em tese, retirou poderes da Odebrecht e de suas afiliadas, entre as quais a BRL TRUST, que administra o Arena Fundo FII, que, até então, era único responsável pelas finanças do empreendimento.
Existe, porém, uma estranha omissão.
Por que, documentalmente, o direito de uso do terreno do estádio permanece em nome da BRL Trust?
O acordo original garantia à administradora a posse do imóvel até a quitação da dívida alvinegra com a CAIXA.
Agora, os termos não estão claros.
Vale lembrar que a BRL tentou, há alguns anos, sair do negócio, mas retornou numa confusão, até os dias de hoje, sem a devida explicação.
A temeridade é tamanha, principalmente em ambiente de desacordo, que, se tivesse conseguido se desvincular, a administradora permaneceria detentora dos Direitos do terreno, salvo nova composição entre Corinthians, credores e a Prefeitura de São Paulo.
Em síntese, segundo os termos atuais, o Timão não é dono de nada.
O estádio segue alienado à CAIXA/BNDES e, em parte – até que se defina a conclusão do pagamento da dívida, à Odebrecht, enquanto o terreno é de posse da gestora, parceira da construtora.
Abaixo a sequência essencial da documentação:
Matrícula do terreno em nome da Prefeitura de São Paulo:

18/11/2010: Prefeitura cede ‘direito real de uso’ do imóvel ao Corinthians

28 de agosto de 2012: direitos sobre o terreno são arrolados como garantia em ação de calotes em impostos promovida pela Receita Federal – que quase resultou na prisão de cartolas alvinegros:

19 de fevereiro de 2014: Corinthians cede e transfere ‘Direito Real de Uso’ do terreno do estádio de Itaquera à BRL TRUST:


Após esta data inexistem modificações na documentação do imóvel.
