Corinthians segue empurrando sujeira para debaixo do tapete

Na última semana, a diretoria do Corinthians expôs, em reunião do CORI, alterações na previsão orçamentária revelada no início de 2022.

A esperteza predominou.

Prática habitual, introduzida no alvinegro pelo ‘professor’ Raul Corrêa da Silva enquanto gestor das finanças do clube, os cartolas apresentam, a princípio, previsões abaixo do razoável.

Meses depois, com a realidade imposta, passam a impressão de grande trabalho de gestão.

Por exemplo: o cálculo prévio da arrecadação de direitos de TV é sempre subdimensionado, inserido num contexto, tratado como ‘conservador’, de classificação máxima do Corinthians até as ‘oitavas de final’ da Copa do Brasil’, da Libertadores ou em zona intermediária do Brasileirão.

É contabilizado, também, somente o valor fixo do recebido em ‘pay-per-view’ quando é sabido por todos que o ‘variável’, calculado pela compra de pacotes, será bem maior.

Nesse contexto, o CORI recebeu, na condição de ‘boa notícia’, a informação de que a arrecadação alvinegra projetada, em vez de R$ 604,7 milhões, será de R$ 756 milhões.

Os conselheiros não foram informados, porém, que o Atlético/MG, com bem menos projeção midiática, embolsará R$ 821 milhões, enquanto o Flamengo, em situação assemelhada à do Timão, mais de R$ 1 bilhão.

Impossível, porém, foi esconder o aumento de despesas, que contrasta com o discurso de campanha – e depois dela – da contenção de despesas:

  • Pagamentos de salários: de R$ 341 milhões para R$ 440 milhões;
  • Dívida mantida em R$ 1 bilhão – fora estádio – com juros que, estima-se, tomarão R$ 110 milhões a fundo perdido dos cofres alvinegros.

Ou seja, o descumprimento da promessa de pagamento das dívidas do Corinthians, associado ao aumento de salários, boa parte pagos a jogadores veteranos agenciados por gente ligada aos dirigentes, em vez de melhorar a condição financeira do clube, impactou em quase R$ 200 milhões jogados no lixo.

Com a arrecadação em alta, esse valor, que, em parte, poderia ter sobrado, aliviaria a triste realidade dos caixas do Corinthians.

Em vez disso, os cartolas preveem irrisórios R$ 10 milhões de superavit, quase zero a zero, insuficiente, por exemplo, para pagar a condenação de R$ 13 milhões pelas malandragens, avalizadas pela diretoria, na transação do jogador Jô, que recebeu, enquanto saia para a balada sob contrato com o clube, além disso, R$ 1,5 milhão mensal, parte deles três meses após ser dispensado do elenco de jogadores.

Se nas contas ‘oficiais’ deu empate, as finanças do Timão são esmagadoramente derrotadas levando-se em consideração o quesito ‘sujeira debaixo do tapete’, obviamente não apresentado aos felizes conselheiros do CORI.

É dívida pra todo lado.

Somente ao Arena Fundo – agora ‘substituído’ ou associado ao FIP SCCP – a quantia é de quase R$ 70 milhões.

Existem ainda pendências diversas a agentes de jogadores, com o Fisco, em empréstimos fora do sistema bancário, sem contar as parcelas do novo acerto com a CAIXA – empurradas para gestões futuras (ou seja, fora do radar das contas ‘empatadas’).

Essa sujeirada toda, quem nem é tão oculta assim, somente persiste – encorpando-se a cada ano, pela omissão da grande maioria dos conselheiros do Corinthians, que troca a rigidez da fiscalização da diretoria, que é a obrigação de todos eles, pelas facilidades que permitem os melhores locais em camarotes, voos e hotéis, abastecedores dos registros das redes sociais e do ego da maioria deles.

Facebook Comments

Posts Similares

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.