O Time do Povo e seu treinador milionário

Ontem, após mais uma derrota para o Palmeiras, o treinador do Corinthians, Vitor Pereira, questionado se temia ser demitido pela direção do clube, respondeu:

“Eu, nesta fase da minha vida, da minha carreira, ter medo de perder o emprego? Você sabe quanto dinheiro tenho no banco, meu amigo? Tenho uma vida estabilizada, não preciso? Isso para mim passa ao lado”

Não mentiu.

Pereira tem as costas quentes e a vida garantida.

No início de 2022, o Corinthians contratou Vitor Pereira a custo aproximado de R$ 1,8 milhão mensais.

Até então, o treinador havia trabalhado em centros menores do futebol mundial: Portugal, Grécia, Turquia, China e Emirados Árabes.

Sua única incursão no mundo do futebol relevante ocorreu na Alemanha; ainda assim, na segunda divisão.

E foi retumbante fracasso.

Pereira chegou ao 1860 München em dezembro de 2016, assinou contrato até 2018, mas, rebaixado à terceira divisão em 2017, foi dispensado.

Seu trabalho mais recente, antes do Timão, no Fenerbahçe, durou apenas seis meses.

Chegou à Turquia em julho de 2021 e foi demitido em dezembro, após ganhar 11 jogos, empatar 7 e perder outros 7.

Desde então, estava desempregado.

Conquistas apenas em Portugal, China e Grécia.

Portador de currículo, se tanto, mediano, foi a subserviência que abriu suas portas até o CT do Corinthians.

Seu ‘dono’ é o iraniano Kia Joorabchian, a quem se juntou quando ainda trabalhava na base do Porto, investigada por suspeitas diversas de transações obscuras de jogadores.

À época da contratação era incerto se o treinador obteria êxito esportivo no Brasil, mas óbvio que seus patrões, independentemente do que viesse a ocorrer em 2022, estariam mais satisfeitos do que os torcedores do Corinthians.
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