A desmoralização da Jovem Pan

A revista Piauí, em brilhante matéria de Ana Clara Costa: ‘A Jovem Pan e o Golpe’, revela a podridão nos bastidores do ‘jornalismo’ da rádio Jovem Pan, que, há tempos, tornou-se – segundo a reportagem, por dinheiro – caixa de ressonância do Governo Genocida.

O relato é amparado em pesquisa científica que evidencia a paridade do discurso com as necessidades da empresa em bajular Bolsonaro.

Antes dele, a Sérgio Moro.

O ‘idealismo’ de gente como Augusto Nunes, aparentemente, é moldado a cada determinação dos donos da emissora.

Os dois últimos parágrafos, inseridos em mais de 20 páginas, são absolutamente desmoralizadores:

“A verdade da Jovem Pan já foi celebrada aos gritos no último 1o de maio, na comemoração do Dia do Trabalho. Em cima de um carro de som, diante de uma grande plateia de verde e amarelo na Avenida Paulista, a deputada Carla Zambelli, maestrina da claque bolsonarista, deu uma diretriz: “Vocês têm um desafio para fazer. Liguem as televisões de vocês, nas empresas de vocês, não em música, não na Globo, não no esporte, mas em informação de verdade. É assim que a gente vai conseguir vencer. Convencendo cada um.” Em seguida, entrou no ponto que interessava: “Quem elegeu o presidente Bolsonaro? A Jovem Pan? Quem aí gosta da Jovem Pan? Então é o seguinte, aqui um desafio pra vocês: põe no canal da Jovem Pan, porra!” Os manifestantes começaram a gritar em uníssono: “Jovem Pan, Jovem Pan, Jovem Pan!”

William Travassos, que naquele momento apresentava o JP Urgente, na Jovem Pan News, agradeceu ao vivo: “Em nome da família Jovem Pan, nós queríamos agradecer esse carinho do público que está com a gente agora. Muito obrigado pela audiência dos senhores.” A gentileza foi retribuída na convenção do PL, realizada no Maracanãzinho, que oficializou a candidatura de Bolsonaro à reeleição no final de julho passado. Uma faixa, com letras pintadas nas cores da bandeira nacional, informava: “Tamo junto – Capitão e Jovem Pan – Guilherme Fiuza, Zé Maria e Augusto Nunes.”

É pouco provável que os citados, apesar de impiedosamente desmascarados, priorizem o constrangimento em detrimento das prováveis facilidades oriundas da submissão, ainda que a custo da intoxicação intelectual, ou até da morte, de parte dos seus ouvintes.

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