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Blog do Paulinho

E quem não assinou a carta pela democracia? O que teme?

Da FOLHA

Por WALTER CASAGRANDE JR.

Razões que movem a defesa da soberania popular devem estar acima do medo de perder seguidores

Essa carta-manifesto pela democracia feita pela Faculdade de Direito da USP deixou em uma sinuca de bico muita gente que diz que vivemos numa democracia bolsonarista –ou que acredita quando o “minto” afirma que defende a liberdade.

Antes de mais nada, é preciso dizer que esse governo está bem longe de ser uma democracia, sempre passou lotado pela linha que separa a liberdade de expressão dos ataques covardes e sujos.

Bom, vamos falar de quem não assinou até agora essa carta. Em primeiro lugar, numa democracia você tem o direito de escolher o que fazer, de participar ou não de qualquer manifesto.

Na minha opinião, não há grandes surpresas entre os nomes que assinaram a carta até agora. Quem pratica a defesa da democracia de verdade, como eu faço desde os 16 anos, está lá.

Mas eu quero chamar atenção exatamente para algumas pessoas que se dizem defensores da democracia e não assinaram.

Qual é o medo de muitas pessoas?

Entre eles, por exemplo, há os que dizem que esporte e política não devem se misturar. Como é possível se considerar um defensor da liberdade tendo esse tipo de pensamento? Talvez falte a esses um entendimento sobre o próprio significado da palavra “democracia”.

Apesar de o nosso sistema eleitoral estar sendo atacado há uns cinco anos, pelo menos ainda podemos escolher. Mas toda escolha implica um preço a pagar hoje em dia.

Quem defende esse governo covarde, mentiroso, perverso, preconceituoso e cruel é bastante criticado nas redes sociais –imagino eu, que não acompanho esse tipo de coisa.

E quem defende a nossa democracia de verdade não é criticado, mas, sim, atacado com termos duríssimos, grosseiros e até criminosos.

Está aí o grande medo de quem não assinou a carta. O medo de perder seguidores, medida que, hoje, parece ser a coisa mais importante para muitos.

Quando digo que o manifesto encurralou muita gente é porque, além de ser necessário tomar atitude e mostrar a cara, também é importante colocar o nome num manifesto desse porte, completamente diferente daquele ridículo protesto lido pelo jogador Casemiro antes da estreia do Brasil na Copa América da Morte.

A lista já ultrapassou a marca de 600 mil assinaturas e aumenta a cada minuto, mas até mesmo pessoas que se manifestaram contra esse governo, principalmente durante o auge da pandemia, não estão lá.

Acompanhei muitas discussões por esse motivo: aqueles que atacavam o governo e aqueles que o defendiam, de repente, sumiram.

Eu me refiro a pessoas públicas. Assim como existem Piquets e Sérgios Reis, também existem alguns artistas que sumiram do mapa.

Parece que a defesa da democracia, para muitos, não passou de uma vitrine, ou talvez de uma modinha. Parece até que essa bandeira não vale mais que a ameaça de perder seguidores e contratos de publicidade.

Vamos lá, repito: respeito a opinião das pessoas, mas me parece incoerente que alguns que já tenham se manifestado em outros momentos venham, agora que a eleição se aproxima, fingir que nada têm com isso.

Quantos se revoltaram pela falta de vacina ou por perder amigos e familiares pela incompetência desse Ministério da Saúde?

Beleza, vão dizer “não tenho nada a ver com isso, é melhor eu cuidar da minha vida”.

Será uma resposta coerente com o modo de agir desses indivíduos que mal se entendem como cidadãos.

Na minha cabeça, o risco de golpe que ameaça a democracia está longe de ser um problema meu ou só do outro. O assunto é do interesse de todos os brasileiros que querem ter liberdade para viver, criar, trabalhar, escrever, falar e o que mais quiserem, desde que não sejam criminosos.

Por isso é tão importante se manifestar em defesa dos valores democráticos.

Encerro com um trecho da linda música “Sal da Terra”, de Ronaldo Bastos na voz de Beto Guedes, de quem sou muito fã:

“Vamos precisar de todo o mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Para melhor construir a vida nova
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois”.

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