Os interesses que cercam as verdades de Vitor Pereira

Ontem, logo após a vitória do Corinthians sobre o Goiás, em mais uma atuação abaixo do razoável, o treinador Vitor Pereira, ao ser questionado sobre o discutível ‘rodízio’ de jogadores, reclamou:

“Eu, para ter uma equipe competitiva em todos os jogos, eu precisaria ter um plantel muito mais extenso”

“Com jogadores que conseguissem dar uma resposta física em todos jogos”

“Eu olho para outros times e as armas são incomparáveis”

“Se nós não tivéssemos os miúdos, já com rodagem, o Corinthians nesse momento estava lutando contra o rebaixamento”

Deixou claro, ainda que com outras palavras, que o elenco é veterano e os jogadores mais jovens estariam assegurando, ao menos neste início de campeonato, uma boa colocação na tabela do Brasileirão.

Se não fosse pela alternância de escalação, segundo Pereira, o time estaria lutando na parte de baixo da tabela.

Histórica propaganda da FOLHA, décadas atrás, frequentemente utilizada em cursos de comunicação, demonstrou, com grande inspiração, o quanto se pode mentir, ou esconder, dizendo apenas a verdade.

Nela, números positivos do Governo nazista foram expostos, sem contextualizá-los com o horror conhecido.

Um extraterrestre que chegasse ao Planeta, naquele instante, trataria Hitler como se fosse ‘mito’.

Vitor Pereira, por óbvio, não deve ser comparado ao líder nazista e nem a gestão do Corinthians, embora seja o que todos sabem que é, ao que ocorria na Alemanha dos anos 30 e 40.

Trata-se apenas de exemplificar a utilização habilidosa da comunicação.

No contexto do Timão, a exposição de dificuldades conhecidas do departamento de futebol – geradas pela própria diretoria – para encorajamento de ‘soluções’ que acolham interesses subterrâneos.

Ao deixar claro que, em mantidos os mesmos jogadores – sem ‘auxílio’ da base –  o time de veteranos do Corinthians correria risco de série B, Pereira sugere a urgência de reposição.

O agente do treinador é o iraniano Kia Joorabchian, que possui grande interesse nesse tipo de situação.

Outro ‘acolhido’ pelo discurso é o bicheiro Jaça, que administra a ‘molecada’ elogiada.

Vários deles estão sendo oferecidos ao mercado antes mesmo de se firmarem no profissional.

Nada do que Vitor Pereira disse é mentira, porém, a publicidade do desabafo, que deveria se limitar aos bastidores do Corinthians, somente se justifica, coincidentemente há um mês da abertura da janela internacional de transferências, para que pressões externas, de torcedores e da imprensa, sirvam de ‘bengala’ aos novos negócios que, a partir daí, serão tratados como emergenciais.

Diante da inexistência de dinheiro em caixa, o clube socorrer-se-ia de novos empréstimos – para dispensas e contratações, provavelmente com intermediários (não existem garantias disponíveis para operações bancárias tradicionais), ampliando ainda mais o caos conhecido.

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