Golpe da Itapemirim?

Explodiu, neste final de ano, a empresa de aviação ‘Ita’, administrada pelo grupo Itapemirim, famoso pela atuação no transporte rodoviário.

Tem cara de golpe.

Com seis meses de operação, facilitados pela flexibilização de exigências após negociação com o Governo Bolsonaro – que, para ajudar a companhia, alegou a existência de excesso de burocracia -, a Ita deixa um legado de centenas de pendências trabalhistas, fiscais e também com credores.

Agora, em dezembro, por exemplo, foi negociado um parcelamento de salários com funcionários; na mesma semana, Sidnei Piva, dono da empresa, comprou, por R$ 12 milhões, um imóvel no litoral de São Paulo, gastando mais R$ 5 milhões na reforma.

O valor, de R$ 17 milhões, aproxima-se do ‘lucro’ obtido com a venda antecipada de 40 mil passagens aéreas, canceladas, sem prévio aviso, nos últimos dias.

Em conta rápida, tomando por média R$ 500 por passagem, a arrecadação foi de R$ 20 milhões.

Enquanto a ITA embolsava sem prestar nenhum serviço, os passageiros ficaram na mão, dormindo em aeroportos, sem os voos contratados nem assistência da empresa, que simplesmente sumiu do atendimento ao cliente.

Se de fato foi golpe – e parece ter sido, é necessário saber quem mais teria lucrado com o comportamento.

Além de facilitar a vida da ITA, Bolsonaro e seu candidato ao Governo de São Paulo, o goiano Tarcísio de Freitas, fizeram estranho ‘merchan’ da empresa numa dessas ‘lives’ do Presidente, com direito a participação sempre figurativa de Marcos Pontes.

Teria sido espontâneo?

Seja qual for a verdade, por óbvio, seguidores dessa gente foram estimulados a trocar de empresa de aviação e, muitos deles, estão entre os prejudicados.


Em tempo: a dívida total do grupo Itapemirim é de R$ 3 bilhões (R$ 2,2 somente em impostos sonegados); apesar disso, o Governo decidiu indicá-la à população brasileira.

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