O desembargador e o dono do Corinthians

Em 2017, tentando convencer Fernando Haddad, então Prefeito de São Paulo, a recomprar os CIDs cedidos pela própria Prefeitura ao Corinthians, Andres Sanches, dono informal do alvinegro disse, na presença de testemunhas, que o promotor Marcelo Milani pediu R$ 1 milhão de propina para não ingressar na Justiça contra o clube, a Odebrecht e Gilberto Kassab, mandatário que assinou a cessão dos ativos.
A afirmação se deu após discussão sobre o prejuízo que o processo ocasionou aos papéis.
O caso foi parar na corregedoria do MP-SP.
Haddad formalizou a denúncia, contanto o que ouviu do cartola e de outra testemunha, ligada a Odebrecht.
Porém, Sanches, em depoimento, ‘deu para trás’ e negou ter falado de Milani; depois detonou o ex-prefeito publicamente.
Duas podem ser as razões do comportamento: o que disse era verdade, mas não queria que fosse divulgado, ou mentira objetivando enganar a Prefeitura.
Outras testemunhas foram ouvidas no inquérito.
Em 13 de junho de 2018, o TJ-SP decidiu arquivar a possibilidade de queixa-crime contra Milani, comportamento que seria, pelo que se observa no teor dos depoimentos, do agrado de Andres Sanches.
Um dos desembargadores votantes foi Ademir Benedito, notório parceiro do cartola, com direito a ter um filho empregado no Corinthians.
Ele deveria ter se julgado impedido?




