No escurinho do Planalto, ameaça à democracia continua em alta

Da FOLHA

Por BRUNO BOGHOSSIAN

Ministro insinua que reação autoritária ao STF é uma carta que está sempre na mesa Bolsonaro

No escurinho do Planalto, o golpismo continua em alta. Conselheiro presidencial e crítico contumaz do STF, o general Augusto Heleno reeditou a avaliação de que a corte tenta “esticar a corda até arrebentar” e insinuou que uma reação autoritária ao tribunal é uma carta que está sempre na mesa de Jair Bolsonaro.

“Eu tenho que tomar dois Lexotan na veia por dia para não levar o presidente a tomar uma atitude mais drástica em relação às atitudes que são tomadas por esse STF”, disse o ministro na formatura de um curso para agentes da Abin, na última terça-feira (14). A fala do general foi divulgada pelo site Metrópoles.

Heleno é um personagem recorrente nos sonhos antidemocráticos dos bolsonaristas. Em 2020, ele publicou uma nota em que ameaçava o STF com “consequências imprevisíveis” caso o tribunal determinasse a apreensão do celular do presidente. General da reserva, ele empresta uma coloração militar aos planos autoritários do chefe.

Na conversa com os agentes da Abin, o ministro jogou lenha no radicalismo político de Bolsonaro e seus aliados. “Um atentado ao presidente da República bem-sucedido modifica totalmente a história do Brasil”, afirmou. “Tenho uma preocupação muito grande com esse 2022.”

Não se deve ignorar perigos nem baixar a guarda na segurança de um presidente, mas o risco à vida do governante é a desculpa favorita de autocratas interessados em tomar medidas fora dos limites da lei.

O próprio Bolsonaro voltou a explorar, nos últimos dias, a expectativa de conflitos políticos e institucionais. Nesta quarta (15), ele criticou ministros do STF que, segundo ele, “agem contra sua pátria” e disse que vai “tomar uma decisão” se o tribunal rejeitar a tese que limita a demarcação de terras indígenas.

Em outras palavras, Bolsonaro ameaçou novamente descumprir uma decisão judicial –ou, no mínimo, retomar o confronto direto com o Supremo. A ruptura ainda é a principal ferramenta do presidente para agitar sua base radical.

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1 Comentário

  1. E se acreditava que o fato de um cidadão ser militar de alta patente dava a ele instrução, educação e ou conhecimento. Tenho 50 anos e cresci cercado de militares que falavam pouco, eram cultos, inteligentes e discretos. Eram autoridades e não autoritários. O que se viu neste governo foi militares despreparados, presidente incompetente, ministros sem menor conhecimento técnico. Foram os três piores anos de nossa história. Inflação descontrolada, preços absurdos. A gente torce para que todo governo que comece faça um bom trabalho e nos surpreenda. Más esta propaganda enganosa chamada Bolsonaro mostra que ainda somos enganados por falso heróis ou mitos. Ele, o mito é muito ruim, falso! Mostra a cada fala um despreparo com o cargo que ocupa, se expressa muito mal, governa pior ainda. Vive de alianças políticas duvidosas e é refém do congresso. Associo-se a bandidos do centro ou do centrão Roberto Jeferson, Lira, Valdemar da Costa Neto e muitos outros. Não tem postura de presidente. Possui amor somente pelo poder. Governa pelo poder pelas benesses que o poder lhe dar. Nós regredimos muitos anos com este incompetente na presidência. Aprendemos a duvidar das instituições, desmantelar as ações e agencias ambientais, criou-se a policia de governo. Acabou-se com a corrupção. Alguém acredita nisso? Viramos um anão diplomático, vamos a ONU para mentir, enganar, disfarçar os dados e falar para a base e não temos nenhuma representatividade no cenário internacional. E por fim, cada fala, cada discurso desta anta é para uma base eleitoral fanática . Não sofreu um impeachment ainda por três motivos: Afinidade com o procurador geral da república, conivência do presidente da câmera dos deputados e constante citação de um golpe militar.

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