Festa do ego no Parque São Jorge

Ontem (25), mais comemorada do que a importante vitória do Corinthians sobre o Palmeiras foi a enésima entrega de prêmios da administração Duílio ‘do Bingo’.
Toda semana alguém recebe uma placa.
Esperto, o cartola percebeu que afagar o ego dos conselheiros é um dos caminhos para manter-se em paz no poder.
Os agraciados da vez estavam numa flexível lista de diretores de futebol que passaram pelo Timão.
Poucos recusaram.
Entre os que aceitaram – a imensa maioria, estavam boa parte dos responsáveis pelo triste momento financeiro do clube.
Mas não apenas eles.
Havia notórios espertalhões, que enriqueceram à custa do sofrimento da agremiação; gente que rebaixou o time para a segundona; outros que ocuparam a cadeira por segundos, etc.
Nada pior, porém, do que a presença dos ‘opositores’, incapazes de recusar a ‘honraria’.
Pareciam ‘pinto no lixo’.
O ego superou, naquele momento, o sentido próprio de honradez e moralidade.
Levando-se em consideração os discursos públicos, e, principalmente, os privados, de uns contra outros, seria o mesmo que um ex-ministro de Lula aceitar homenagem entregue por Bolsonaro, ou vice-versa.
A desculpa de sempre, que eles contam para auto-enganação, é a de que o ‘reconhecimento’ partiu do Corinthians e não da pessoa física de seus dirigentes.
Nem mesmo os parentes, levados por alguns ao palco, como se precisassem comprovar a eles alguma relevância, acreditaram no contrário do que é amplamente registrado pela história.
Placas não mudarão a biografia de quem roubou ou foi incompetente na condução do futebol alvinegro.
Essa é a realidade paralela de um Corinthians que, recentemente, não encontrou dinheiro no caixa para pagar R$ 3 mil em FGTS – que surrupiou de um jogador da base, mas tem gastado bem mais do que isso, sabe-se lá de que origem, para criação de premiações à parte de mérito e tempestividade, servidoras apenas para diagnosticar o nível da cartolagem que circunda a vida política em Parque São Jorge.

