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Bolsonaro só deveria discursar na ONU se fosse se desculpar pelo que fez

Da FOLHA

Por GREGÓRIO DUVIVIER

Depois de uma Pfizer geladinha, presidente roubou 30 milhões de doses para levar no avião que não trafica só cocaína

“Bom dia a todos. Senhor presidente da Assembleia-Geral, senhor secretário-geral das Nações Unidas, senhores chefes de Estado e de governo, e demais chefes de delegação, senhoras e senhores.

É uma honra abrir novamente a Assembleia-Geral das Nações Unidas. Vou ser sincero, tinha preparado um discurso anticiência, fundamentalista e mentiroso, que acabaria por foder de vez com a imagem do Brasil no exterior. Mas aconteceu de ler um editorial pedindo que eu tentasse reverter os danos que meu governo causou ao país. Pensei com meus botões: por que não? Taí. Nunca tinha pensado nisso. Vou tentar.

Pra começar a reparação, hoje de manhã transferi R$ 29,5 milhões pros cofres públicos —a quantia que eu e minha família gastamos só com funcionário fantasma ao longo da vida pública. Como nenhum dos fantasmas veio buscar o salário, achamos de bom tom devolver aos cofres. Pra isso, tivemos que vender minha Land Rover e umas três casas, mas paciência. Sim, ao longo dos anos a gente acabou usando o dinheiro dos fantasmas —aproveitando que eles cobram juros baixíssimos.

Quanto ao discurso antivacina, hoje mesmo passei numa farmácia e tomei uma injeção de Pfizer geladinha no braço. Mas não basta o meu braço. Aproveitei que ninguém estava vendo e roubei 30 milhões de doses, que vamos levar ao Brasil dentro do avião presidencial. Estão pensando que meu avião só serve pra traficar cocaína?

Acabo de entregar meu celular pra polícia mesmo sabendo que meus quatro filhos vão ser presos —quero mais é que se fodam. Sempre quis, pra ser sincero. Só não posso resgatar os bilhões de investimento que fugiram do país, nem o dólar a R$ 4, nem o litro de gasolina a R$ 4,50. Mas posso renunciar —e levar junto uma caralhada de milico incompetente que eu prometo que vocês nunca mais vão ver na vida. Quanto aos milhões de vidas ceifadas pela gestão desastrosa da pandemia, essas não posso devolver. Mas posso oferecer a minha. Espero que assim possa ajudar a pacificar o coração de todos aqueles que perderam entes queridos por minha causa.”

O presidente tira o terno. Desfaz o nó da gravata, desabotoa a camisa. Puxa uma espada da cintura, enrolada num lenço. Ajoelha-se e começa o ritual do esventramento. Ao primeiro sinal de sangue, começa a chorar. Sai da assembleia algemado, aos prantos. Morre bem velho, sozinho, numa cadeia americana —feliz, finalmente.

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